Veja o trailer do filme Carandiru
Carandiru
Sobre o que é Carandiru
Um médico se voluntaria para um programa de prevenção à AIDS no Carandiru, o maior presídio da América Latina, em São Paulo. É a premissa de partida de Carandiru, drama de 2003 dirigido por Hector Babenco.
Ao entrar na cadeia, o sanitarista Drauzio Varella descobre uma realidade de superlotação, violência e instalações precárias. Mas, em vez de monstros, ele encontra gente: detentos organizados, solidários, com humor, medo e uma força absurda de viver.
O filme se apoia nessa convivência para construir um retrato raro do sistema carcerário brasileiro. Para quem gosta de drama baseado em fatos reais, é um dos títulos mais impactantes do cinema nacional.
Estreia e legado
Carandiru chegou aos cinemas brasileiros em 11 de abril de 2003, pela Columbia Pictures do Brasil. O longa foi selecionado para o Festival de Berlim e recebeu quatro indicações ao Urso de Ouro, incluindo melhor filme.
No Brasil, arrebatou o prêmio de melhor filme pela APCA, pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e levou vários troféus no Grande Otelo, inclusive melhor direção para Babenco. Foi também indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro pelo país.
Mais de duas décadas depois, o longa segue como referência obrigatória para discutir ressocialização, o massacre de 1992 e a vida que pulsa dentro da prisão. Continua sendo estudado em escolas de cinema, exibido em mostras e citado em debates sobre política penitenciária.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a segunda metade, com o assalto e o massacre, é um soco no estômago. Babenco filma a violência sem espetacularização, mostrando o pânico nos olhos, nos gritos, no sangue. A cena final é das mais fortes do cinema brasileiro.
O elenco gigantesco, com nomes como Wagner Moura, Milton Gonçalves e Luiz Carlos Vasconcelos, entrega naturalidade e densidade. Os detentos viveram verdadeiros meses no set para se preparar.
Ponto fraco: o ritmo da primeira parte é lento, com cenas que se alongam em recortes de cotidiano. Quem espera um thriller carcerário convencional pode estranhar o tom mais documental.
Curiosidades
- O presídio usado nas externas já estava desativado desde 2002; o massacre real de 1992 foi recriado com mais de 300 figurantes e semanas de preparação.
- São quase 100 personagens com falas, algo raro até para produções hollywoodianas. O roteiro teve que ser editado para dar fôlego a cada um.
- O rapper Sabotage interpreta um detento no filme. Pouco mais de um ano depois, em 2003, o músico foi morto em São Paulo. A cena de Carandiru virou registro histórico de sua presença em tela.
Perguntas frequentes
Carandiru é baseado em fatos reais?
Sim. O filme adapta o livro Estação Carandiru, do médico Drauzio Varella, que de fato trabalhou no presídio fazendo prevenção à AIDS. O massacre final também é real e aconteceu em outubro de 1992.
Carandiru tem cenas muito violentas?
Tem. A segunda metade, com o assalto externo e a invasão policial, é explícita e pesada. O longa é para maiores de idade, sem cortes de violência gratuita.
Carandiru e Pixote são do mesmo diretor?
São de períodos diferentes do mesmo Babenco, mas com pontos em comum: retrato de jovens marginalizados em instituições fechadas. Quem curte pode assistir Pixote: A Lei do Mais Fraco na sequência.
Pra quem é este filme:
- Fãs de drama baseado em fatos reais e jornalismo literário, especialmente leitores de Drauzio Varella e similares.
- Interessados em política criminal, direitos humanos e debates sobre ressocialização no Brasil.
- Cinéfilos que acompanham cinema nacional dos anos 2000, Hector Babenco e o trabalho do Wagner Moura antes do sucesso internacional em Tropa de Elite.
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 11/04/2003
Distribuidora: Columbia Pictures do Brasil
Diretor: Hector Babenco
Principais atores: