Veja o trailer do filme Wyatt Earp

Wyatt Earp

Wyatt Earp

Faroeste Duração: 3h 10min

Wyatt Earp: a vida inteira de um mito do Velho Oeste

O Wyatt Earp de 1994 não quer ser apenas mais um faroeste sobre o duelo no OK Corral. O diretor Lawrence Kasdan escala uma cinebiografia de fôlego, cobrindo décadas da vida do xerife mais famoso dos Estados Unidos.

Da infância numa fazenda em Iowa à beira da Guerra Civil, passando pelo Wyoming, pelo casamento trágico com Urilla, pela fase de bêbado e ladrão de cavalos no Arkansas, até o posto de delegado em Wichita e os confrontos em Tombstone, o filme acompanha o homem antes do mito.

O roteiro investe nas origens familiares, com Gene Hackman como o pai Nicholas, e nos relacionamentos que moldaram Earp antes da fama. Para quem curte o faroeste em sua vertente mais lenta e biográfica, é uma viagem completa.

Estreia, legado e como o filme é lembrado

Wyatt Earp chegou aos cinemas brasileiros em 26 de agosto de 1994, poucos meses depois de Tombstone, que contava a mesma história com menos paciência e mais atitude. Essa coincidência definiu em grande parte a recepção crítica do longa.

Com 190 minutos de duração, era uma aposta cara da Warner, apostando no prestígio de Kevin Costner pós-O Passaporte para o Oeste e de Lawrence Kasdan, vindo do sucesso de Os Intocáveis.

A fotografia de Owen Roizman concorreu ao Oscar de 1995, a única indicação relevante da produção. Ganhou o prêmio da National Board of Review de liberdade de expressão e foi indicado ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante para Mare Winningham.

Hoje, é lembrado como o faroeste honesto, porém inflado, que tentou fazer para Wyatt Earp o que O Poderoso Chefão fez para o cinema de máfia. Falhou na comparação, mas sobreviveu no catálogo dos fãs do gênero.

Vale o ingresso?

Ponto alto: o elenco adulto é um presente. Kevin Costner dá ao Earp uma gravidade silenciosa, Dennis Quaid rouba as cenas como Doc Holliday com energia maníaca, e Gene Hackman aparece pouco, mas decisivo.

Ponto alto: a reconstituição de época tem escala de verdade, com cenários abertos e figurino caprichado que Honram a tradição do faroeste clássico.

Ponto fraco: a duração. São 190 minutos que pedem edição. O primeiro ato no Iowa, a passagem pelo Wyoming e a fase de bêbado no Arkansas poderiam perder pelo menos 30 minutos sem prejuízo.

Ponto fraco: a sombra de Tombstone, lançado meses antes. O filme de George P. Cosmatos tem mais pulso narrativo, e a comparação é inevitável. Quem viu os dois costuma preferir o concorrente.

  • Wyatt Earp e Tombstone foram produzidos quase ao mesmo tempo e disputaram holofotes em 1994; curiosamente, os dois usaram o mesmo rancho no Arizona como locação.
  • O ator Bill Pullman interpreta Ed Masterson, e Mark Harmon vive o xerife Johnny Behan, dupla reforçada depois em outro faroeste de Kasdan.
  • Jim Caviezel, hoje astro de Homem de Aço e Batman Vs. Superman, faz aqui um de seus primeiros papéis no cinema.

Wyatt Earp (1994) vale a pena? Vale para quem gosta de faroestes longos e biográficos. Não é o melhor filme do gênero, e perde fácil para Tombstone no quesito ritmo, mas tem elenco forte e produção caprichada.

Qual a diferença entre Wyatt Earp e Tombstone? Tombstone foca no período do OK Corral, é mais curto e dinâmico. Wyatt Earp cobre a vida inteira do xerife, com mais de três horas, e aposta no desenvolvimento de personagem.

Wyatt Earp tem cena pós-créditos? Não. O longa termina com créditos convencionais, sem teaser ou cena extra no final.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de westerns épicos que apreciam narrativas longas no estilo de Os Intocáveis e dança com lobos, e não se importam com ritmo contemplativo.
  • Admiradores de Kevin Costner e Lawrence Kasdan, interessados em ver a parceria entre o ator e o diretor após O Posto Avançado e Os Intocáveis.
  • Curiosos por história do Velho Oeste americano que querem entender o homem por trás do mito do OK Corral, mesmo que a versão cinematográfica seja romanceada.