O amalueto de Ogum

O amalueto de Ogum

18 Ficção Duração: 1h 52min

O que é O Amuleto de Ogum

Um violeiro cego abre a narrativa e puxa a história de um homem amaldiçoado pela violência desde a infância. Após perder o pai e o irmão em um massacre, ele é levado pela mãe a um centro espírita onde recebe um amuleto para "fechar o corpo" — um feitiço de proteção contra a morte.

Cresce, vira bandido no submundo carioca dos anos 1970 e cruza o caminho da mulher de um bicheiro. A fé que o salvou na infância agora precisa responder se ainda vale diante do crime.

O longa O Amuleto de Ogum é classificado como Ficção e cruza drama policial com pitada sobrenatural de forma seca, sem fantasias baratas.

Quando estreou e por que importa

O filme é de 1974, período fértil do Cinema Novo tardio. Nélson Pereira dos Santos já tinha entregado obras-primas como Rio, Zona Norte e Como Era Gostoso o Meu Francês antes de rodar este longa.

Em 16 de março de 2017, o título ganhou uma janela rara: foi reexibido em cópia restaurada em 35mm, o que permite ver o trabalho de fotografia, figurino e luz original do diretor.

Hoje é lembrado como um dos retratos mais honestos do sincretismo religioso brasileiro no cinema, dialogando com obras do mesmo período e alimentando debates sobre fé, classe e violência urbana.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de Nélson Pereira dos Santos segura o tom entre o realismo bruto do submundo e a camada mística do amuleto, sem cair no didatismo. A fotografia trabalha a luz como elemento dramático, e a trilha que mistura violeiro e sons urbanos do Rio é um achado.

A presença de Jofre Soares como o violeiro narrador dá à fita uma voz literária rara no cinema policial brasileiro. Ele canta, conta e age, funcionando como uma espécie de coro grego tropical.

Ponto fraco: o ritmo é lento e assumido. Quem chega esperando um thriller de gângster vai estranhar a cadência contemplativa. Há ainda uma certa fragilidade em algumas atuações do elenco de apoio, principalmente nas cenas coletivas do morro.

No saldo, é um filme que pede atenção e devolve um olhar raro sobre o Brasil marginal e religioso dos anos 1970.

Curiosidades de bastidores

  • O músico Jards Macalé, ícone da MPB de vanguarda, compôs faixas da trilha sonora e também interpreta o protagonista Gabriel, em um dos casos raros de fusão entre trilha e elenco principal.
  • A película foi restaurada em 35mm para a reexibição de 2017, processo coordenado por equipes brasileiras de preservação audiovisual, devolvendo o grão e a cor originais da fotografia.
  • O longa dialoga diretamente com Quem é Beta? e Sessão Comentada Cinema de Lágrimas, formando um pequeno ciclo de Nélson Pereira dos Santos sobre destinos marginalizados.

Perguntas frequentes

O Amuleto de Ogum é baseado em fatos reais?

Não. É uma ficção escrita por Nélson Pereira dos Santos, inspirada em tradições orais do nordeste e na realidade social do Rio de Janeiro dos anos 1970.

Qual é a classificação indicativa do filme?

A classificação é 18 anos, por causa da violência explícita, linguagem adulta e temas sensíveis ligados ao crime organizado e à marginalidade.

O Amuleto de Ogum tem cena pós-créditos?

Não. O filme encerra a narrativa dentro do terceiro ato, sem teasers extras no final, ao estilo clássico do cinema de autor da década de 1970.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de Cinema Novo e cinema brasileiro de autor que já viram A Grande Cidade e Vidas Secas.
  • Interessados em religiosidade afro-brasileira, sincretismo e nas representações do espiritismo de caboclo no audiovisual.
  • Estudantes e pesquisadores de cinema que buscam um recorte cru da marginalidade carioca pré-ditadura, lado a lado com obras como Memórias do Cárcere.