Veja o trailer do filme Madame Satã

Madame Satã

Madame Satã

Do presídio à lenda: a origem de Madame Satã

Rio de Janeiro, 1932. Lázaro Ramos interpreta João Francisco dos Santos, transformista recém-saído da prisão que sonha em conquistar os palcos da Lapa.

O longa acompanha a construção do mito Madame Satã a partir do convívio com personagens marginalizados: a prostituta Laurita (Marcelia Cartaxo), o cúmplice Tabu (Flávio Bauraqui), o amante traidor Renatinho e o dono do bar Danúbio Azul (Emiliano Queiroz).

Dirigido por Karim Ainouz, o filme recria a boemia carioca pré-ditadura com sensualidade, violência e lirismo.

O nome artístico vem de um filme de Cecil B. DeMille que o próprio João Francisco viu e adotou como identidade.

Do Festival de Cannes ao circuito alternativo

Lançado em 14 de junho de 2002 no Brasil, Madame Satã estreou no mesmo ano no Festival de Cannes, na mostra Un Certain Regard, ganhando projeção internacional imediata.

O filme venceu o prêmio de melhor filme no Festival de Brasília e emplacou Lázaro Ramos no mapa do cinema nacional antes de seu papel em Cidade Baixa (2005).

Mais de duas décadas depois, continua sendo referência quando se fala em reconstituição histórica honesta da Lapa e da vida noturna carioca.

Hoje circula em mostras, universidades e catálogos de cinema biográfico brasileiro, sendo citado em estudos sobre representatividade LGBTQ+ no audiovisual nacional.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a reconstrução da Lapa é sedutora, com fotografia quente, figurino impecável e atuações entregadas — Marcelia Cartaxo rouba cada cena em que aparece.

A direção de Ainouz dosa intimidade e espetáculo com mão firme, transformando becos e quartos em território de poesia suja.

Ponto fraco: o ritmo é contemplativo e pode frustrar quem espera suspense tradicional ou narrativa mais esquemática.

Cenas explícitas de sexo e violência exigem maturidade — a classificação de 16 anos não é enfeite.

Curiosidades de bastidor

  • O filme foi a primeira incursão longa-metragem de Karim Ainouz, depois de prêmios com o curta Se Eu Fosse Você e o documentário Maus Hábitos.
  • O nome Madame Satã foi tirado do filme homônimo de Cecil B. DeMille, exibido em 1934, que o verdadeiro João Francisco assistiu e adotou como identidade artística.
  • Parte da equipe de produção foi a mesma de O Vendedor de Passados e outros longas pernambucanos, reforçando a cena recifense do cinema brasileiro dos anos 2000.

Perguntas frequentes

Madame Satã é baseado em uma história real?

Sim. O filme reconta a vida de João Francisco dos Santos, transformista e figura lendária da Lapa nos anos 1930, preso diversas vezes por homossexualidade e pequenos crimes.

Qual a classificação indicativa de Madame Satã?

O longa é classificado para 16 anos, por conter cenas explícitas de sexo, violência e nudez condizentes com a realidade retratada.

Onde assistir Madame Satã online?

O filme já passou por catálogos de streaming e mostras digitais. Consulte a grade atualizada na seção de programação do Filmes no Cinema para verificar disponibilidade em streamings e salas.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de autor brasileiro que já curtiram obras como Mundo Cão e Nise - O Coração da Loucura.
  • Leitores de história da boemia carioca e da Lapa pré-ditadura interessados em figuras marginalizadas como sujeitos de narrativa.
  • Quem acompanha a filmografia de Karim Ainouz e quer ver de onde veio o diretor de Praia do Futuro e Motel Destino.