Veja o trailer do filme Decameron
Decameron
O que esperar do filme
Decameron é uma adaptação livre de nove contos do livro homônimo de Giovanni Boccaccio, escrito no século XIV. A câmera passeia pelo sul da Itália medieval e encontra sujeitos comuns em situações nada sagradas.
Tem padre sendo enganado no leito de morte, jardineiro que finge ser mudo para trabalhar num convento e pintor obcecado em achar a modelo perfeita. Tudo costurado por um humor carnal e uma ironia que cutuca a Igreja da época sem cerimônia.
O diretor Pier Paolo Pasolini dirige, escreve e ainda aparece em um dos episódios, sempre fiel ao seu olhar incômodo sobre classe e desejo.
Linha do tempo e legado
Estreou na Itália em 1971, no mesmo ano em que Pasolini ganhou o Grande Prêmio do Júri em Berlim com esse trabalho. Foi a senha para o início da chamada Trilogia da Vida, que depois ganhou Os Contos de Canterbury e As Mil e Uma Noites como capítulos seguintes.
Na época, o filme dividiu críticos: alguns acharam a comédia popular demais, outros elogiaram a liberdade com que Pasolini tratou a obra de Boccaccio. Décadas depois, é visto como um dos retratos mais vivos do medievo no cinema, longe do moralismo e cheio de vitalidade.
Hoje é obrigatório em qualquer retrospectiva sobre o diretor italiano e aparece com frequência em listas de clássicos da comédia dramática europeia.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Pasolini é magnética. A fotografia em locações reais do sul da Itália, o elenco mesclando atores e não-atores, e o humor físico dão ao filme uma energia rara no cinema de arte.
Os episódios do jardineiro mudo e do pintor em busca da modelo são pequenas joias isoladas, que funcionam até como curtas autônomos.
Ponto fraco: o formato de antologia cobra seu preço. Nem todos os nove contos têm o mesmo fôlego, e há episódios que soam datados ou simplesmente arrastam no meio do filme.
Quem espera um Saló ou Os 120 Dias de Sodoma vai se assustar com o tom leve. E quem não tolera nudez frontal e humor escatológico passa longe.
Curiosidades dos bastidores
- Pasolini escalou moradores das vilas italianas onde filmou, sem experiência anterior com cinema, para dar um tom de documentário aos contos.
- O filme é o primeiro da Trilogia da Vida, seguida por Os Contos de Canterbury (1972) e As Mil e Uma Noites (1974).
- Franco Citti, que abre o filme, era o ator preferido de Pasolini e tinha trabalhado com ele em Accattone (1961) e em O Evangelho Segundo São Mateus.
Perguntas frequentes
Decameron (1971) está disponível em streaming?
O filme circula em catálogos de cinema de autor em plataformas de streaming e em acervos de cineclubismo. A disponibilidade muda conforme a região e o licenciamento de cada serviço.
Qual a ordem certa para assistir à Trilogia da Vida de Pasolini?
A ordem de produção é Decameron (1971), Os Contos de Canterbury (1972) e As Mil e Uma Noites (1974). Quem quer acompanhar a evolução temática do diretor segue essa sequência.
Decameron tem cenas explícitas?
Sim. O filme tem nudez frontal, humor sexual explícito e situações que beiram o grotesco, marca registrada de Pasolini. Não é recomendado para públicos sensíveis a esses temas.
Pra quem é este filme:
- Fãs do cinema europeu dos anos 1970 e da obra polêmica de Pasolini, que já assistiram a Teorema e O Evangelho Segundo São Mateus.
- Leitores de literatura medieval italiana e admiradores de Boccaccio que querem ver o livro ganhar corpo na tela.
- Curiosos pela Trilogia da Vida que ainda não conhecem o primeiro capítulo e querem entender de onde vieram Mamma Roma e Medeia.
Título original: Il Decameron
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/1971
Diretor: Pier Paolo Pasolini
Principais atores: