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O Poderoso Chefão

O Poderoso Chefão

14 Ação Policial Drama Duração: 2h 55min

Sobre o que é O Poderoso Chefão

Em 1945, Nova York vive sob o pulso de Don Vito Corleone, o patriarca de uma das cinco famílias mafiosas da cidade.

O dia do casamento da filha Connie serve de pano de fundo para costurar favores, negócios e alianças. É nesse contexto que o caçula Michael, um condecorado veterano da 2ª Guerra, aparece quase como um figurante.

A recusa de Vito em entrar no ramo das drogas, defendida por Sollozzo, dispara uma guerra entre famílias. Al Pacino surge como o filho inesperado, capaz de atos frios e calculados.

Não é só um filme de gangster. É a crónica de uma transferência de poder vista de dentro, com jantares longos, olhares cúmplices e decisões tomadas em sussurros.

Estreia e legado

Lançado em 24 de março de 1972 nos Estados Unidos, O Poderoso Chefão chegou ao Brasil ainda nos anos 1970 e foi relançado em cópia restaurada em 23 de fevereiro de 2022, aproveitando os 50 anos do filme.

O impacto comercial foi estrondal: custou cerca de 6 milhões de dólares e rendeu mais de 250 milhões em todo o mundo, tornando-se a maior bilheteira de 1972.

Na temporada de prêmios, levou o Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator (Marlon Brando, que recusou o troféu em protesto contra o tratamento dado aos nativos americanos) e Melhor Roteiro Adaptado.

Em 1990, o filme entrou para o National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos EUA. Hoje, frases como "vou fazer uma proposta que não poderá recusar" e "deixe a arma, pegue os cannoli" continuam sendo citadas em séries, memes e até em vídeos de reacção no YouTube.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direcção de Francis Ford Coppola, combinada com a fotografia de Gordon Willis — propositadamente escura, em tons de laranja e âmbar — cria uma atmosfera de missa solene. Brando está magnético como Don Vito, com a mandíbula empapada e a voz mansa. Al Pacino rouba o segundo ato com uma transformação gelada que transformou o cinema de máfia para sempre.

Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem espera tiroteios constantes ou montagem acelerada pode achar o primeiro terço arrastado. As cenas de amor entre Michael e Kay também datadas, com um tratamento da personagem feminina que não envelheceu bem.

Curiosidades dos bastidores

  • Brando só aceitou fazer o teste de câmera se pudesse ele mesmo decidir o guarda-roupa. A ideia de maquilhar a mandíbula com prótese nasceu dele e irritou o estúdio durante meses.
  • A mafioso de verdade Joe Colombo tentou vetar o livro de Mario Puzo e acabou aparecendo como figurante na cena da festa, pouco antes do seu assassinato real.
  • A conhecida cena da cabeça no cama foi filmada com uma cabeça de cavalo real, sem recurso a efeitos, o que provocou vómitos no set.

Perguntas frequentes

O Poderoso Chefão tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina com Michael fechando a porta na cara de Kay. Os créditos finais começam imediatamente depois.

Qual a ordem certa para assistir à trilogia?

Na cronologia de produção, a sequência é: O Poderoso Chefão, O Poderoso Chefão 2 e O Poderoso Chefão 3. Existe ainda a cronologia narrativa (a história de Vito jovem no segundo filme pode ser vista antes ou depois do original, conforme a preferência).

Por que o filme é tão lento?

A cadência é propositada: Coppola queria que o espectador se sentisse dentro dos rituais da família, não assistindo de fora. São as pausas, os olhares e os subentendidos que constroem a tensão.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de dramas familiares densos, com tramas geracionais e diálogos que valem por monólogos.
  • Apasionados por cinema de autor dos anos 1970, Nouvelle Vague americana e fotografia em 35mm.
  • Quem curte ficção sobre crime organizado, política de bastidores e estudos de personagem moralmente cinzentos.