O que é Azyllo Muito Louco
Século XIX, em uma província à beira-mar. Um padre resolve construir um grande asilo com um objetivo declarado: descobrir a cura para a loucura.
Dirigido por Nélson Pereira dos Santos, mestre do Cinema Novo, o longa parte de uma premissa aparentemente simples e vai crescendo em estranhamento.
O Padre Azyllo, vivido por Nildo Parente, atrai pacientes do vilarejo inteiro em nome da ciência e da fé. Em pouco tempo, percebe que a maioria dos internados são justamente os homens mais influentes da região.
A partir desse impasse, o filme mistura comédia ácida, crítica institucional e um humor que beira o nonsense. A estrutura lembra um conto moral ácido, cheio de reviravoltas discursivas.
Estréia e legado
Azyllo Muito Louco chegou aos cinemas em 29 de novembro de 1971, em plena vigência do regime militar. É um período curioso da filmografia de Nélson Pereira dos Santos, que vinha de Como Era Gostoso o Meu Francês e produziria, pouco depois, Quem é Beta?.
O longa foi distribuído pela Riofilme, a estatal fluminense de cinema que na época financiava boa parte da produção autoral brasileira. Por isso, hoje aparece com facilidade em mostras de cinema brasileiro e ciclos de Cinema Novo.
Apesar de ser menos citado que Vidas Secas ou Memórias do Cárcere, Azyllo é lembrado por cinéfilos justamente por seu tom raro de farsa política em meio à filmografia séria de Nélson Pereira dos Santos.
Vale o ingresso?
Ponto alto: O roteiro é o grande trunfo. A ideia de inverter a lógica do asilo e manter apenas os sãos funciona como metáfora potente sobre quem detém o poder numa comunidade pequena. O diálogo entre padre, política e moral é afiadíssimo.
Ponto alto: Nildo Parente entrega um padre com camadas, alternando devoção e cinismo em medidas quase iguais. A presença de Leila Diniz e Isabel Ribeiro no elenco reforça a pegada corrosiva.
Ponto fraco: O ritmo é desigual. O primeiro ato é vigoroso, mas o terceiro ato se perde em repetições de ideias e perde força cômica.
Ponto fraco: A restauração do material também não ajuda na fruição em 2024: a imagem tem marcas de deterioração em algumas cópias disponíveis.
Curiosidades de bastidor
- O título é um trocadilho com o nome do protagonista: Azyllo, com y, em vez da grafia comum. A piada já antecipa o tom de humor travesso do longa.
- Nélson Pereira dos Santos raramente incursionou pela comédia explícita, o que torna Azyllo um objeto de estudo dentro da sua filmografia.
- Leila Diniz aparece no elenco, no auge do protagonismo que a tornou ícone da liberdade feminina nos anos 1970.
Perguntas frequentes
Azyllo Muito Louco é um filme de terror?
Não. Embora a premissa do asilo de loucos sugira o gênero, o longa trabalha com sátira política e humor ácido, mais próximo da comédia nonsense do que do terror.
Onde assistir Azyllo Muito Louco em streaming?
Hoje, o filme circula em mostras sazonais de Cinema Novo, em universidades e no acervo da Riofilme. A disponibilidade em streaming varia, então vale conferir nos catálogos.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. A produção é dos anos 1970 e não segue a tradição contemporânea de cenas pós-créditos. O encerramento é seco e conclusivo.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Cinema Novo que já passaram por Glauber Rocha e Coutinho e querem conhecer um Nélson Pereira dos Santos fora da curva.
- Leitores de Machado de Assis, Lima Barreto e qualquer um que curta sátira política à brasileira.
- Curiosos por cinema de 1971, ano de ebulição cultural marcado por obras como Como Era Gostoso o Meu Francês.
Título original: Azyllo muito louco
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 29/11/1971
Distribuidora: Riofilme
Diretor: Nélson Pereira dos Santos
Principais atores: