Azyllo muito louco

Azyllo muito louco

Livre Ficção Comédia Duração: 1h 40min

O que é Azyllo Muito Louco

Século XIX, em uma província à beira-mar. Um padre resolve construir um grande asilo com um objetivo declarado: descobrir a cura para a loucura.

Dirigido por Nélson Pereira dos Santos, mestre do Cinema Novo, o longa parte de uma premissa aparentemente simples e vai crescendo em estranhamento.

O Padre Azyllo, vivido por Nildo Parente, atrai pacientes do vilarejo inteiro em nome da ciência e da fé. Em pouco tempo, percebe que a maioria dos internados são justamente os homens mais influentes da região.

A partir desse impasse, o filme mistura comédia ácida, crítica institucional e um humor que beira o nonsense. A estrutura lembra um conto moral ácido, cheio de reviravoltas discursivas.

Estréia e legado

Azyllo Muito Louco chegou aos cinemas em 29 de novembro de 1971, em plena vigência do regime militar. É um período curioso da filmografia de Nélson Pereira dos Santos, que vinha de Como Era Gostoso o Meu Francês e produziria, pouco depois, Quem é Beta?.

O longa foi distribuído pela Riofilme, a estatal fluminense de cinema que na época financiava boa parte da produção autoral brasileira. Por isso, hoje aparece com facilidade em mostras de cinema brasileiro e ciclos de Cinema Novo.

Apesar de ser menos citado que Vidas Secas ou Memórias do Cárcere, Azyllo é lembrado por cinéfilos justamente por seu tom raro de farsa política em meio à filmografia séria de Nélson Pereira dos Santos.

Vale o ingresso?

Ponto alto: O roteiro é o grande trunfo. A ideia de inverter a lógica do asilo e manter apenas os sãos funciona como metáfora potente sobre quem detém o poder numa comunidade pequena. O diálogo entre padre, política e moral é afiadíssimo.

Ponto alto: Nildo Parente entrega um padre com camadas, alternando devoção e cinismo em medidas quase iguais. A presença de Leila Diniz e Isabel Ribeiro no elenco reforça a pegada corrosiva.

Ponto fraco: O ritmo é desigual. O primeiro ato é vigoroso, mas o terceiro ato se perde em repetições de ideias e perde força cômica.

Ponto fraco: A restauração do material também não ajuda na fruição em 2024: a imagem tem marcas de deterioração em algumas cópias disponíveis.

Curiosidades de bastidor

  • O título é um trocadilho com o nome do protagonista: Azyllo, com y, em vez da grafia comum. A piada já antecipa o tom de humor travesso do longa.
  • Nélson Pereira dos Santos raramente incursionou pela comédia explícita, o que torna Azyllo um objeto de estudo dentro da sua filmografia.
  • Leila Diniz aparece no elenco, no auge do protagonismo que a tornou ícone da liberdade feminina nos anos 1970.

Perguntas frequentes

Azyllo Muito Louco é um filme de terror?

Não. Embora a premissa do asilo de loucos sugira o gênero, o longa trabalha com sátira política e humor ácido, mais próximo da comédia nonsense do que do terror.

Onde assistir Azyllo Muito Louco em streaming?

Hoje, o filme circula em mostras sazonais de Cinema Novo, em universidades e no acervo da Riofilme. A disponibilidade em streaming varia, então vale conferir nos catálogos.

O filme tem cena pós-créditos?

Não. A produção é dos anos 1970 e não segue a tradição contemporânea de cenas pós-créditos. O encerramento é seco e conclusivo.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de Cinema Novo que já passaram por Glauber Rocha e Coutinho e querem conhecer um Nélson Pereira dos Santos fora da curva.
  • Leitores de Machado de Assis, Lima Barreto e qualquer um que curta sátira política à brasileira.
  • Curiosos por cinema de 1971, ano de ebulição cultural marcado por obras como Como Era Gostoso o Meu Francês.

Título original: Azyllo muito louco

País de origem: Brasil

Data do lançamento: 29/11/1971

Distribuidora: Riofilme

Diretor: Nélson Pereira dos Santos

Principais atores: