Veja o trailer do filme Um Divã para Dois
O Casal que Esqueceu de se Conversar
Kay e Arnold Soames estão casados há 30 anos. A cama virou dois lados de um muro silencioso, o jantar virou troca de contas e o carinho virou obrigação de aniversário. Quando o cansaço vira indiferença, Kay decide tomar uma atitude drástica: arrastar o marido até a pequena Hope Springs para uma semana intensiva de terapia de casal com o Dr. Feld.
É essa premissa simples que move Um Divã para Dois (no original, Hope Springs), drama adulto sobre casamento em crise que prefere o silêncio constrangedor à grande explosão melodramática. Dirigido por David Frankel (o mesmo de O Diabo Veste Prada), o filme usa a terapia menos como solução mágica e mais como lupa do que os dois deixaram de enxergar um no outro.
A grande sacada é tratar a intimidade do casal com uma franqueza rara. Discussões sobre desejo, toques, ejaculação precoce e falta de libido entram na sala sem panos quentes, graças ao roteiro de Vanessa Taylor. Não é comédia no sentido de fazer rir a cada cinco minutos: o humor aparece em constatações dolorosas, como quando Kay percebe que Arnold não sabe mais o que ela gosta no sexo.
Se você procura comédia romântica leve, tipo Café Society, talvez estranhe o tom. Aqui o riso vem misturado com uma pontada de vergonha alheia. O longa encontra um meio-termo raro entre drama conjugal e romance maduro, sem moralizar e sem tratar o público como adolescente.
Vale o Ingresso?
Ponto alto: A dupla Streep e Jones é o tipo de encontro que o cinema não oferece todo dia. Ela traz a vulnerabilidade contida de uma esposa que ainda quer o marido; ele, a casca grossa de um homem que confunde silêncio com dignidade. As cenas na sala do terapeuta são ácidos diálogos de pura arquitetura emocional.
As sessões de terapia são tão honestas que chegam a doer. Dá vontade de anotar lições, e isso é raro em filmes de gênero.
Ponto fraco: O terceiro ato perde fôlego. Depois da semana em Hope Springs, a resolução chega rápido demais e o arco do Dr. Feld, vivido por Steve Carell, poderia render mais. Carell acerta no olhar e na escuta, mas sobra pouco tempo para o terapeuta virar pessoa.
O ritmo central também é cadenciado demais para quem busca comédia de timing rápido. É um filme de respirações longas, não de piadas em sequência.
Curiosidades de Bastidores
- O roteiro original se chamava Great Hope Springs e passou por várias reescritas antes de Vanessa Taylor, de Gifted, assinar a versão final.
- Meryl Streep e Tommy Lee Jones já tinham contracenado em A Casa de Espíritos (1993), mas nunca tinham dividido tantas cenas de diálogo quanto aqui.
- Para preparar o papel, Streep conversou com terapeutas de casal e confessou que se reconheceu em várias situações propostas pelo Dr. Feld.
Perguntas Frequentes
Um Divã para Dois tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com uma resolução clara e os créditos começam imediatamente após a última cena, sem teaser extra.
Um Divã para Dois é baseado em uma história real?
Não. A história é ficcional, mas o roteiro se inspirou em técnicas reais de terapia de casal e contou com consultoria de profissionais da área.
Um Divã para Dois vale a pena para casais?
Sim, especialmente para casais de longa data. Não é uma comédia romântica leve: é um retrato honesto de casamento que pode render boas conversas depois da sessão.
Pra quem é este filme:
- Casais de longa data que se reconhecem na rotina sem graça e querem um espelho gentil (e às vezes duro) na tela grande.
- Fãs de Meryl Streep interessadas em ver a atriz fora do registro dramático histórico, em algo mais cotidiano e menos ungido.
- Quem gosta de dramas adultos como Amor por Direito e As Sufragistas, onde o afeto é construído com paciência em vez de grandes gestos.
Título original: Hope Springs
País de origem: EUA
Data do lançamento: 17/08/2012
Distribuidora: Imagem Filmes
Diretor: David Frankel
Principais atores: