THE YOUNG POPE
O Papa que ninguém queria
Em The Young Pope, o diretor Paolo Sorrentino imagina uma realidade paralela em que o cardeal Lenny Belardo é eleito papa e se torna o primeiro pontífice americano da história, adotando o nome de Pio XIII.
Esperado como uma figura de transição, ele assume o trono de São Pedro com um discurso conservador, fechado a bajuladores e claramente desconfortável para a cúpula do Vaticano. A série é, acima de tudo, um estudo de poder e solidão.
Quem assiste esperando um drama religioso convencional se surpreende: a obra funciona quase como um thriller institucional disfarçado, onde cada nomeação e cada silêncio dentro do Vaticano ganha peso de conspiração.
Estreia e legado
Produzida pela HBO em parceria com a Sky Italia e o Canal+, The Young Pope estreou na televisão italiana em outubro de 2016 e chegou ao Brasil em março de 2017, com exibição na HBO Go. Foi apresentada como uma das grandes apostas europeias do ano.
Na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2016, a série foi exibida como destaque, ao lado do primeiro longa de Sorrentino, Um Homem a Mais (2001), reforçando a retrospectiva do diretor italiano no circuito de festivais.
Mesmo dividida entre o público, a obra consolidou Sorrentino como um dos autores mais visuais da TV contemporânea e abriu caminho direto para a sequência The New Pope, com John Malkovich assumindo o papel principal.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a interpretação de Jude Law como Pio XIII. Ele entrega um papa contido, debochado e vulnerável, sustentando sozinho cenas longas de devaneio e conflito interno. A direção de arte, com quadros que parecem pinturas renascentistas, também é um espetáculo à parte.
Ponto fraco: o ritmo. Quem está acostumado com séries de intriga acelerada pode achar o andamento lento e o tom contemplativo demais, especialmente nos primeiros episódios. É preciso entrar no clima da obra para aproveitá-la de verdade.
Curiosidades
- O título original era uma referência a O Poderoso Chefão 2 nos bastidores: Sorrentino via Pio XIII como uma espécie de "Don Corleone com batina".
- Toda a trilha sonora combina rock alternativo, música clássica e havaianas, em uma escolha deliberada do diretor para desconstruir a solenidade vaticana.
- A pintura vista no quarto do papa é de uma artista brasileira, Adriana Varejão, comprada por Sorrentino em um leilão em Milão.
Perguntas frequentes
The Young Pope é uma série ou um filme?
É uma série de televisão com 10 episódios de cerca de 50 minutos cada, criada por Paolo Sorrentino para HBO e Sky Italia. Por aqui, costuma aparecer nos catálogos de streaming sem cobrança extra.
The Young Pope tem cena pós-créditos?
Não. A série segue o formato tradicional de encerramento dos episódios, sem teasers após os créditos finais. Já a sequência The New Pope funciona como continuação direta da história.
The Young Pope vale a pena?
Vale para quem curte dramas densos e estética de arte europeia. Se você gosta de séries como O Poderoso Chefão 3 e do cinema contemplativo de Sorrentino, é uma experiência obrigatória.
Pra quem é este filme:
- Fãs do cinema de Paolo Sorrentino, especialmente quem curtiu A Juventude e procura o mesmo autor em formato serial.
- Interessados em dramas sobre instituições de poder, com estética de arte europeia e discussões sobre fé, política e moral.
- Espectadores que gostam de séries como O Poderoso Chefão pela construção lenta de personagens ambíguos e jogos de bastidores.
Título original: THE YOUNG POPE
País de origem: Itália, Reino Unido
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Paolo Sorrentino
Principais atores: