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Quanto Vale ou É por Quilo?

Quanto Vale ou É por Quilo?

Drama Duração: 1h 50min

O filme

Em Quanto Vale ou É por Quilo?, o diretor Sergio Bianchi monta uma analogia dura entre dois Brasis separados por séculos, mas conectados pelo mesmo tipo de violência.

No século XVII, um capitão-do-mato captura uma escrava fugitiva que está grávida. Ao entregá-la ao dono, recebe a recompensa em dinheiro. Minutos depois, a escrava aborta.

Nos dias atuais, uma ONG financia o projeto Informática na Periferia em uma comunidade carente. A assistente social Arminda descobre que os computadores comprados foram superfaturados. A partir daí, vira alvo. Em paralelo, o jovem desempregado Candinho aceita virar matador de aluguel para alimentar a família.

É um drama de tese, seco, que trata a exploração da miséria como mercadoria — ontem com corpos, hoje com doações e campanhas.

Estreia e legado

Quanto Vale ou É por Quilo? chegou aos cinemas brasileiros em 20 de maio de 2005, com distribuição pequena e circuito alternativo. Não foi blockbuster nem disputou prêmio de público.

O longa, porém, virou peça de estudo em cursos de cinema e comunicação por discutir marketing social e indústria da solidariedade antes de o tema virar moda.

Bianchi já vinha de um cinema crítico (Cronicamente Inviável, Os Inquilinos) e aqui mantém o tom: pouco heroísmo, muita denúncia.

Hoje é lembrado como um dos títulos mais incômodos do cinema brasileiro dos anos 2000, justamente por recusar o didatismo fácil.

Vale o ingresso?

Ponto alto: o elenco entrega atuações secas e certeiras. Marcelia Cartaxo e Leona Cavalli seguram a parte histórica com peso. A montagem alternada entre os séculos funciona como soco: a câmera não permite que o espectador descanse.

A crítica à ONG é direta, sem moralismo raso, e envelheceu bem — basta abrir o noticiário.

Ponto fraco: o ritmo é lento no primeiro terço. As duas tramas demoram a se conectar de fato, e o encerramento é abrupto, quase seco demais.

Quem busca entretenimento leve ou reviravoltas vai sair incomodado — e talvez esse seja o ponto.

Curiosidades

  • O roteiro cruzou as duas épocas a partir de um artigo sobre financiamento de ONGs na periferia de São Paulo.
  • A fotografia assinada pelo próprio Sergio Bianchi usa luz natural nas cenas da comunidade para reforçar o tom de documentário.
  • Lázaro Ramos e Caio Blat aparecem em participações pontuais, em uma das formações de elenco mais robustas do cinema nacional dos anos 2000.

Perguntas frequentes

Quanto Vale ou É por Quilo? vale a pena?

Vale para quem curte drama de crítica social e cinema de autor brasileiro. Não é um filme de entretenimento.

O filme tem cena pós-créditos?

Não. O longa termina de forma seca, sem cena extra após os créditos.

Qual é a classificação indicativa?

Não recomendado para menores de 16 anos por violência, temas sensíveis e linguagem.

Pra quem é este filme:

  • Quem curte cinema de autor brasileiro e já viu Cronicamente Inviável ou Os Inquilinos.
  • Interessados em discutir a relação entre ONGs, marketing social e pobreza estrutural.
  • Estudantes e professores de cinema, sociologia, comunicação e história do Brasil colonial.