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Quanto Vale ou É por Quilo?
O filme
Em Quanto Vale ou É por Quilo?, o diretor Sergio Bianchi monta uma analogia dura entre dois Brasis separados por séculos, mas conectados pelo mesmo tipo de violência.
No século XVII, um capitão-do-mato captura uma escrava fugitiva que está grávida. Ao entregá-la ao dono, recebe a recompensa em dinheiro. Minutos depois, a escrava aborta.
Nos dias atuais, uma ONG financia o projeto Informática na Periferia em uma comunidade carente. A assistente social Arminda descobre que os computadores comprados foram superfaturados. A partir daí, vira alvo. Em paralelo, o jovem desempregado Candinho aceita virar matador de aluguel para alimentar a família.
É um drama de tese, seco, que trata a exploração da miséria como mercadoria — ontem com corpos, hoje com doações e campanhas.
Estreia e legado
Quanto Vale ou É por Quilo? chegou aos cinemas brasileiros em 20 de maio de 2005, com distribuição pequena e circuito alternativo. Não foi blockbuster nem disputou prêmio de público.
O longa, porém, virou peça de estudo em cursos de cinema e comunicação por discutir marketing social e indústria da solidariedade antes de o tema virar moda.
Bianchi já vinha de um cinema crítico (Cronicamente Inviável, Os Inquilinos) e aqui mantém o tom: pouco heroísmo, muita denúncia.
Hoje é lembrado como um dos títulos mais incômodos do cinema brasileiro dos anos 2000, justamente por recusar o didatismo fácil.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o elenco entrega atuações secas e certeiras. Marcelia Cartaxo e Leona Cavalli seguram a parte histórica com peso. A montagem alternada entre os séculos funciona como soco: a câmera não permite que o espectador descanse.
A crítica à ONG é direta, sem moralismo raso, e envelheceu bem — basta abrir o noticiário.
Ponto fraco: o ritmo é lento no primeiro terço. As duas tramas demoram a se conectar de fato, e o encerramento é abrupto, quase seco demais.
Quem busca entretenimento leve ou reviravoltas vai sair incomodado — e talvez esse seja o ponto.
Curiosidades
- O roteiro cruzou as duas épocas a partir de um artigo sobre financiamento de ONGs na periferia de São Paulo.
- A fotografia assinada pelo próprio Sergio Bianchi usa luz natural nas cenas da comunidade para reforçar o tom de documentário.
- Lázaro Ramos e Caio Blat aparecem em participações pontuais, em uma das formações de elenco mais robustas do cinema nacional dos anos 2000.
Perguntas frequentes
Quanto Vale ou É por Quilo? vale a pena?
Vale para quem curte drama de crítica social e cinema de autor brasileiro. Não é um filme de entretenimento.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma seca, sem cena extra após os créditos.
Qual é a classificação indicativa?
Não recomendado para menores de 16 anos por violência, temas sensíveis e linguagem.
Pra quem é este filme:
- Quem curte cinema de autor brasileiro e já viu Cronicamente Inviável ou Os Inquilinos.
- Interessados em discutir a relação entre ONGs, marketing social e pobreza estrutural.
- Estudantes e professores de cinema, sociologia, comunicação e história do Brasil colonial.
Título original: Quanto Vale ou É por Quilo?
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 20/05/2005
Diretor: Sergio Bianchi
Principais atores: