Os 102 Dálmatas

Os 102 Dálmatas

O que é Os 102 Dálmatas

Sequência do longa de 1996 que adaptou a animação de 1961. Os 102 Dálmatas troca o tom sombrio do primeiro live-action por uma paleta mais solar e um humor quase pastel.

A vilã Cruella DeVil, vivida por Glenn Close, volta de um tratamento experimental que prometia curá-la do impulso de vestir peles caninas. O efeito colateral é quase cômico: basta o badalar do Big Ben para a maldade ressurgir em câmera lenta.

Ao lado dela entra o estilista Jean-Pierre Le Pelt, interpretado por Gérard Depardieu, com cabelo branco, noções duvidosas de moda e sotaque carregado. A dupla parte para cima de um canil falido em Londres, administrado por Kevin, vivido por Ioan Gruffudd.

É comédia familiar assumida, sem a densidade gótica que o primeiro filme tinha. Para quem procura leveza e cachorros, entrega razoavelmente. Para quem quer cinema autoral, é melhor passar longe.

Quando estreou e o que aconteceu depois

Os 102 Dálmatas chegou aos cinemas norte-americanos em 22 de novembro de 2000 e ao Brasil em dezembro do mesmo ano, no rastro da temporada natalina. Era a aposta da Disney para emplacar uma trilogia canina, mas o resultado de bilheteria frustrou o estúdio: arrecadou cerca de US$ 183 milhões worldwide, pouco mais da metade do filme de 1996.

A crítica recebeu mal, e o plano de transformar a história em franquia esfriou na hora. Glenn Close, que tinha construído uma das vilãs mais memoráveis do cinema familiar moderno, ainda tentou manter a personagem viva, mas sem projeto novo. Hoje o longa é lembrado mais como curiosidade nostálgica do que como capítulo fundamental do cinema da Disney.

Ocupa um canto estranho na filmografia de todos os envolvidos: nem é cult, nem é consenso. Acabou virando programa de domingo à tarde em TV aberta e em catálogos de streaming nos meses de férias escolares.

Vale o ingresso?

Ponto alto: Glenn Close continua magnética como Cruella, mesmo com o roteiro pedindo para ela ser mais cômica do que ameaçadora. Gérard Depardieu entra com timing de humor físico bem calibrado e rouba várias cenas com economia de expressão.

Os filhotes seguem sendo o motor emocional do filme. Em sequências de perseguição por Londres, o uso dos animais funciona de verdade, com humor slapstick honesto.

Ponto fraco: o roteiro é raso. O arco do canil em crise, o romance improvisado e a tramoia do casaco se desencontram, e a direção de Kevin Lima (que vinha do bom trabalho em Encantada e depois faria Encantada) parece sem norte estético. A fotografia é chapada demais para se destacar.

Também incomoda o tom levemente forçado: quer ser mais leve que o original, mas não tem coragem de abraçar o pastelão completo. Fica num meio-termo que cansa adultos e prende pouco adolescentes.

Curiosidades de bastidor

  • Foi a última vez que Glenn Close interpretou Cruella em live-action até o longa solo de 2021, Cruella, com Emma Stone no papel.
  • O tratamento experimental da vilã foi inspirado em parte no filme O fim, citado nos bastidores como referência de trama sobre recaída involuntária.
  • Mais de 200 dálmatas foram usados nas filmagens, e oito filhotes nasceram durante a produção, virando destaque de coletiva de imprensa.
  • As cenas em Londres usaram poucos recursos de tela verde: o Big Ben foi gravado em locação real, com direito a badalada sincronizada nos takes.
  • A participação de Gérard Depardieu foi tratada pela produção como evento: o ator nunca tinha feito um filme claramente infantil nos Estados Unidos até então.

Perguntas frequentes

Os 102 Dálmatas é sequência ou remake?

É sequência direta do live-action de 1996, que por sua vez adaptou a animação de 1961. Mantém os personagens humanos e troca o cenário gótico por Londres ensolarada.

Tem cena pós-créditos?

Não. Os créditos finais seguem o padrão e não escondem cena extra nem teaser de continuação.

Onde assistir Os 102 Dálmatas online?

O filme aparece com frequência no catálogo do Disney+ e em exibições pontuais em TV fechada. A disponibilidade varia por região e contrato de licenciamento.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema familiar da Disney dos anos 90 e 2000 que querem revisitar uma comédia com cachorros.
  • Pais e responsáveis procurando sessão leve para crianças entre 4 e 9 anos, período em que o humor pastelão funciona sem ressalvas.
  • Admiradores de Glenn Close e Gérard Depardieu interessados em ver dois atores sérios se divertindo em papel deliberadamente exagerado.