Veja o trailer do filme O vale do amor
O vale do amor
O que é O Vale do Amor?
O Vale do Amor parte de uma premissa simples e dolorosa: um casal separado recebe uma carta do filho que se matou seis meses antes, pedindo para se encontrarem no deserto da Califórnia.
Sem lógica aparente, eles aceitam. O que começa como uma viagem de reencontro vira um estudo bruto sobre culpa, ressentimento e a impossibilidade de fechar o luto.
Dirigido por Guillaume Nicloux, o longa coloca duas lendas vivas do cinema francês — Isabelle Huppert e Gérard Depardieu — para dialogar quase o tempo todo, em planos longos e sem rede.
Quando estreou e por que importa
O Vale do Amor foi apresentado no Festival de Cannes 2015, fora da competição oficial, e chegou aos cinemas brasileiros em 22 de setembro de 2016, distribuídos pela Imovision.
O filme não disputou o Oscar, mas circulou por mostras internacionais ao longo de 2015 e 2016, ganhando destaque pela reunião de Huppert e Depardieu, que não dividiam a tela desde décadas.
Hoje, é lembrado como um drama de arte discreto, mas com duas atuações que valem a sessão. Sessão indicada para quem curte cinema de câmera na cara e roteiro de silêncio.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Huppert e Depardieu carregam a obra nos ombros. As cenas entre os dois têm uma eletricidade rara, feitas de olhares, pausas e frases curtas que dizem mais do que parecem.
A escolha de filmar no deserto real, com calor e luz agressivos, dá uma camada física ao luto que dispensa explicação.
Ponto fraco: o ritmo é irregular. O roteiro de Nicloux aposta na contemplação, mas em alguns momentos a sensação é de que os personagens apenas andam pelo cenário à espera de um insight que demora demais para chegar.
Quem busca narrativa clássica vai sair frustrado. Quem aceita drift dramático sai tocado.
Curiosidades de bastidores
- O filme foi rodado em locações reais do Vale da Morte, na Califórnia, com equipe reduzida e horários extremos de calor.
- Esta foi a primeira vez que Huppert e Depardieu contracenaram juntos em quase 30 anos, retomando uma parceria clássica do cinema francês.
- Guillaume Nicloux escreveu o roteiro em cerca de duas semanas, segundo entrevistas, após uma conversa com amigos que perderam um filho.
Perguntas frequentes
O Vale do Amor é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficcional, mas se inspira em relatos reais de luto e na ideia de promessa feita a um ente querido que morreu.
Vale a pena assistir O Vale do Amor?
Vale, mas com expectativa calibrada. É um filme lento, sobre diálogos e silêncios. Quem busca ação ou viradas vai se frustrar; quem curte Souvenir e A Bela Que Dorme provavelmente vai gostar.
O Vale do Amor tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma abrupta, sem recursos extras. Pode levantar da cadeira assim que a tela escurecer.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema europeu autoral, especialmente de dramas franceses de câmara como Mais forte que bombas e O Último Metrô.
- Admiradores do trabalho solo de Isabelle Huppert em obras como ELLE, que curtem sua economia interpretativa.
- Espectadores interessados em narrativas sobre luto e trauma, parecidos com os de Fique Comigo e O fim.
Título original: The Valley of Love
País de origem: França
Data do lançamento: 22/09/2016
Distribuidora: Imovision
Diretor: Guillaume Nicloux
Principais atores: