Veja o trailer do filme A BELA QUE DORME
O filme em resumo
Baseado no caso real de Eluana Englaro, que passou 17 anos em coma vegetativo na Itália, A Bela que Dorme acompanha o desdobramento político, familiar e moral do desligamento dos aparelhos. Marco Bellocchio costura várias histórias paralelas em torno do mesmo dilema.
Um senador de esquerda se vê pressionado pelo partido conservador. Sua filha, militante católica, protesta contra a eutanásia enquanto se envolve com um rapaz cujo irmão defende o oposto. Ao mesmo tempo, uma mulher em coma é velada por uma mãe devota que ignora a família, uma paciente terminal implora ao marido pelo fim do sofrimento e uma dependente química tenta o suicídio sob a vigília de um médico idealista.
O resultado é um mosaico desconfortável sobre corpo, consciência e crença. Um filme para pensar, mais do que para sentir.
Estreia e legado
Lançado na Itália em 2012 e no Brasil em 5 de julho de 2013, o filme nasceu em pleno debate sobre o caso Englaro, que sacudiu a política e a Igreja Católica italianas entre 2008 e 2009.
Foi selecionado para a competição oficial do Festival de Cannes 2012, com Isabelle Huppert e Toni Servillo no elenco central, além de ter sido indicado ao David di Donatello de Melhor Filme.
Hoje é lembrado como um dos capítulos mais políticos da filmografia de Bellocchio, ao lado de A China Está Próxima. Continua atual sempre que pautas sobre eutanásia e fim de vida voltam ao debate público.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o elenco está impecável. Toni Servillo entrega um senador contido e rachado por dentro, enquanto Isabelle Huppert transforma uma mãe religiosa em algo próximo de uma santa obcecada. Alba Rohrwacher segura a dúvida existencial da filha com presença firme. A fotografia italiana, fria e precisa, ajuda a criar o clima de debate.
Ponto fraco: a estrutura fragmentada custa caro. São cinco núcleos diferentes competindo por atenção, e nenhum ganha tempo suficiente para emocionar de verdade. O filme se comporta mais como ensaio do que como drama tradicional, o que pode frustrar quem busca identificação direta.
Curiosidades de bastidor
- O longa foi escrito por Marco Bellocchio em parceria com Veronica Raimo e Stefano Rulli em apenas alguns meses, aproveitando o calor do caso real que ainda dominava a imprensa europeia.
- A cena com a dependente química em crise foi filmada em sequência única, com a atriz improvisando sob a direção firme de Bellocchio, que costuma dar liberdade ao elenco nos momentos de maior tensão.
- Apesar de retratar a Itália, a produção teve coprodução francesa, o que garantiu parte do financiamento e a presença de Isabelle Huppert no elenco principal.
Perguntas frequentes
A Bela que Dorme é baseado em uma história real?
Sim. O filme parte do caso de Eluana Englaro, jovem italiana que ficou em coma vegetativo por 17 anos e teve os aparelhos desligados em 2009, após decisão da Justiça da Itália.
Tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com a mesma sobriedade do restante da narrativa, sem apelos extras ao espectador.
Qual é a classificação indicativa?
Verifique a classificação atualizada antes da sessão, pois pode variar conforme a versão exibida em cada país e o conteúdo sensível envolvendo suicídio e eutanásia.
Pra quem é este filme:
- Interessados em ficção baseada em casos reais e dilemas bioéticos.
- Fãs de cinema político italiano e da obra de Marco Bellocchio, que costumam acompanhar lançamentos como As Confissões.
- Quem gosta de filmes com múltiplos núcleos narrativos, semelhante a Mais Forte que Bombas e O Vale do Amor.
Título original: BELLA ADDORMENTATA
País de origem: ITÁLIA, FRANÇA
Data do lançamento: 05/07/2013
Diretor: Marco Bellocchio
Principais atores: