Veja o trailer do filme O Beijo no Asfalto
O Beijo no Asfalto
Do trânsito carioca ao escândalo nacional
Um bancário recém-casado vê sua vida virar pó em poucos minutos. É o que acontece com Arandir, protagonista de O Beijo no Asfalto, longa de 1980 dirigido por Bruno Barreto e codirigido por Murilo Benício.
Ao presenciar um atropelamento, ele corre para socorrer a vítima. Antes de morrer, o homem só tem tempo de pedir uma última coisa: um beijo. Arandir obedece, num gesto de compaixão quase involuntário.
O problema é que o ato é visto por seu sogro e fotografado por um repórter policial sensacionalista. A partir daí, a peça escrita por Nelson Rodrigues ganha carne nas telas e transforma um instante de ternura numa máquina de destruição moral.
Para entender o contexto maior, vale conferir a página de Drama do portal e também a biografia de Lázaro Ramos, que assume aqui um papel bem distante dos tipos simpáticos que o consagraram.
Da estreia polêmica ao lugar de clássico
O Beijo no Asfalto chegou aos cinemas em 5 de dezembro de 1981, em pleno período de abertura política e efervescência cultural. A provocação de Nelson Rodrigues, somada à coragem da produção de Bruno Barreto, escandalizou parcelas da sociedade brasileira na época.
Foram necessárias várias versões do roteiro até conseguir liberação da Censura Federal. O elenco reunia estrelas de TV, teatro e cinema, o que ajudou a dar peso popular ao debate.
Hoje, o filme é lembrado como uma das adaptações mais fiéis e corajosas do dramaturgo pernambucano. Continua sendo citado em faculdades de comunicação, artes cênicas e letras como retrato de uma moral hipócrita. Está no rol dos longas que moldaram o drama brasileiro moderno.
Para quem curte cinema de denúncia, vale comparar com outro retrato afiado de conservadorismo: O que é isso companheiro?.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o roteiro é afiado, mantém o veneno de Nelson Rodrigues intacto e provoca uma sequência de julgamentos morais que não dá para desviar o olhar. Fernanda Montenegro e Stenio Garcia elevam qualquer cena em que aparecem.
Ponto fraco: a direção é competente, mas aposta num tom bastante teatral, o que pode soar datado para quem espera uma pegada mais cinematográfica contemporânea. Algumas cenas se alongam sem necessidade.
Bastidores que você não sabia
- A Censura Federal exigiu sete reescritas do roteiro antes de liberar a produção.
- A peça de Nelson Rodrigues foi escrita em apenas três dias, em 1960, e causou polêmica já nos palcos.
- O ator Amir Hadad interpreta o homem atropelado, em participação curta mas decisiva para a trama.
Perguntas frequentes
O Beijo no Asfalto é fiel à peça de Nelson Rodrigues?
Sim. A adaptação preserva os diálogos originais e mantém a estrutura em atos, com pequenos ajustes para o cinema.
O filme tem cenas de nudez ou conteúdo explícito?
Não. A polêmica é toda construída em cima de insinuação e julgamento moral. A classificação indicativa é 16 anos.
Vale assistir hoje em dia?
Vale, principalmente pelo debate sobre conservadorismo, imprensa e reputação que segue atualíssimo. A comparação com Mundo Cão mostra como o tema ressoa em décadas diferentes.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Nelson Rodrigues que querem ver como a peça ganha corpo no cinema.
- Quem curte dramas de tribunal social e crítica de costumes brasileiros.
- Leitores de Fernanda Montenegro em busca de registros antigos da atriz.
Título original: O Beijo no Asfalto
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 05/12/1981
Distribuidora: Art House Movies
Diretor: Murilo Benício, Bruno Barreto
Principais atores: