Veja o trailer do filme O Beijo no Asfalto

O Beijo no Asfalto

O Beijo no Asfalto

16 Drama Duração: 1h 20min

Do trânsito carioca ao escândalo nacional

Um bancário recém-casado vê sua vida virar pó em poucos minutos. É o que acontece com Arandir, protagonista de O Beijo no Asfalto, longa de 1980 dirigido por Bruno Barreto e codirigido por Murilo Benício.

Ao presenciar um atropelamento, ele corre para socorrer a vítima. Antes de morrer, o homem só tem tempo de pedir uma última coisa: um beijo. Arandir obedece, num gesto de compaixão quase involuntário.

O problema é que o ato é visto por seu sogro e fotografado por um repórter policial sensacionalista. A partir daí, a peça escrita por Nelson Rodrigues ganha carne nas telas e transforma um instante de ternura numa máquina de destruição moral.

Para entender o contexto maior, vale conferir a página de Drama do portal e também a biografia de Lázaro Ramos, que assume aqui um papel bem distante dos tipos simpáticos que o consagraram.

Da estreia polêmica ao lugar de clássico

O Beijo no Asfalto chegou aos cinemas em 5 de dezembro de 1981, em pleno período de abertura política e efervescência cultural. A provocação de Nelson Rodrigues, somada à coragem da produção de Bruno Barreto, escandalizou parcelas da sociedade brasileira na época.

Foram necessárias várias versões do roteiro até conseguir liberação da Censura Federal. O elenco reunia estrelas de TV, teatro e cinema, o que ajudou a dar peso popular ao debate.

Hoje, o filme é lembrado como uma das adaptações mais fiéis e corajosas do dramaturgo pernambucano. Continua sendo citado em faculdades de comunicação, artes cênicas e letras como retrato de uma moral hipócrita. Está no rol dos longas que moldaram o drama brasileiro moderno.

Para quem curte cinema de denúncia, vale comparar com outro retrato afiado de conservadorismo: O que é isso companheiro?.

Vale o ingresso?

Ponto alto: o roteiro é afiado, mantém o veneno de Nelson Rodrigues intacto e provoca uma sequência de julgamentos morais que não dá para desviar o olhar. Fernanda Montenegro e Stenio Garcia elevam qualquer cena em que aparecem.

Ponto fraco: a direção é competente, mas aposta num tom bastante teatral, o que pode soar datado para quem espera uma pegada mais cinematográfica contemporânea. Algumas cenas se alongam sem necessidade.

Bastidores que você não sabia

  • A Censura Federal exigiu sete reescritas do roteiro antes de liberar a produção.
  • A peça de Nelson Rodrigues foi escrita em apenas três dias, em 1960, e causou polêmica já nos palcos.
  • O ator Amir Hadad interpreta o homem atropelado, em participação curta mas decisiva para a trama.

Perguntas frequentes

O Beijo no Asfalto é fiel à peça de Nelson Rodrigues?

Sim. A adaptação preserva os diálogos originais e mantém a estrutura em atos, com pequenos ajustes para o cinema.

O filme tem cenas de nudez ou conteúdo explícito?

Não. A polêmica é toda construída em cima de insinuação e julgamento moral. A classificação indicativa é 16 anos.

Vale assistir hoje em dia?

Vale, principalmente pelo debate sobre conservadorismo, imprensa e reputação que segue atualíssimo. A comparação com Mundo Cão mostra como o tema ressoa em décadas diferentes.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de Nelson Rodrigues que querem ver como a peça ganha corpo no cinema.
  • Quem curte dramas de tribunal social e crítica de costumes brasileiros.
  • Leitores de Fernanda Montenegro em busca de registros antigos da atriz.