Mulheres diabólicas
Sobre o que é Mulheres diabólicas
Uma jovem pobre e quase invisível entra para trabalhar na casa de uma família rica. Sandrine Bonnaire interpreta Sophie, a empregada que se cala diante de tudo.
O que ninguém nota é o que se forma fora da mansão. No correio da cidade, Isabelle Huppert vive Jeanne, uma mulher amarga que coleciona pequenas humilhações contra a elite local.
Entre as duas nasce uma cumplicidade silenciosa. Claude Chabrol conduz esse encontro como quem monta uma bomba-relógio. A explosão vem no último ato, sem aviso e sem redenção.
Estreia e legado
Lançado na França em 1995 e trazido ao circuito brasileiro ainda naquele fim de ano, Mulheres diabólicas consolidou a fase tardia e mais afiada de Chabrol.
Na temporada de prêmios, o filme chegou ao César indicado em nove categorias. Conquistou três estatuetas, incluindo Melhor Atriz para Isabelle Huppert e Melhor Atriz Coadjuvante para Sandrine Bonnaire.
Trinta anos depois, segue obrigatório em qualquer lista de grandes dramas franceses. É citado como influência direta de obras como ELLE e Souvenir, e revisitado em mostras como a Sala José Carlos Avellar, do IMS em parceria com a revista Cinética.
Vale o ingresso?
Ponto alto: as duas atrizes centrais. Huppert e Bonnaire funcionam como uma engrenagem perfeita, e cada cena entre elas tem tensão de conto de drama moral.
A direção de Chabrol é cirúrgica. Planos longos, silêncios incômodos, uma classe dominante que se revela grotesca sem precisar gritar.
Ponto fraco: o ritmo pede paciência. Quem busca um thriller com reviravoltas mirabolantes pode achar a primeira hora lenta demais. A violência final é abrupta e gráfica, capaz de afastar espectadores sensíveis.
É um filme que não diverte, não consola e não tenta. Ele expõe.
- O roteiro é baseado livremente no romance A Tale of Two Sisters, de Ruth Rendell, mesma autora que inspirou A Bela Que Dorme.
- Virginie Ledoyen faz uma participação pequena no início do filme, em um de seus primeiros papéis no cinema.
- Chabrol fechou a trilogia iniciada com Os Possessos e Fique Comigo, todas com foco em mulheres em ambientes opressivos.
Mulheres diabólicas é baseado em fatos reais?
Não. O filme é inspirado no romance de Ruth Rendell, mas a trama é ficcional. Há, no entanto, estudos que analisam o filme à luz de casos reais de empregadas francesas envolvidas em crimes contra patrões.
Qual a classificação etária de Mulheres diabólicas?
O filme é recomendado para maiores de 14 anos, por causa da violência explícita no clímax e de algumas cenas de tensão psicológica pesada.
Mulheres diabólicas tem cena pós-créditos?
Não. O final é seco, corta e encerra. Quem esperar uma resolução em forma de epílogo vai sair frustrado de propósito.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Isabelle Huppert e do cinema de atriz como protagonista absoluto.
- Quem curte drama de classe, desigualdade e revenge movie psicológico, no estilo de O vale do amor e Mais forte que bombas.
- Espectadores que frequentam mostras, cineclubes e ciclos de cinema clássico em cartaz, como a Sala José Carlos Avellar do IMS.
Título original: La cérémonie
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/1995
Diretor: Claude Chabrol
Principais atores: