Veja o trailer do filme Manas
Sobre o que é Manas
Manas acompanha Marcielle, uma menina de 13 anos que mora em uma comunidade ribeirinha isolada na Ilha do Marajó, no Pará. A vida dela gira em torno da família, do rio e das balsas que cortam a região.
Ela idolatra a irmã mais velha, Claudinha, que partiu depois de "arrumar um homem bom" em uma dessas balsas. A figura da mãe alimenta esse mito e Marcielle cresce construindo a própria feminilidade em cima dessa promessa de liberdade.
Só que, conforme o corpo muda e as regras da casa se impõem, a fantasia começa a rachar. O que parecia destino a espera se revela uma engrenagem de abuso que se repete entre as mulheres da comunidade há gerações.
Estreia, festivais e legado
Manas tem estreia confirmada para 14 de maio de 2025 nos cinemas brasileiros, com distribuição da Festival Filmes. A janela de lançamento é pequena — a fita está em cartaz em pouquíssimas salas, então a procura precisa ser ativa.
O filme já carrega um pedigree internacional pesado. Em 2024, Marianna Brennand venceu o Director's Award no Giornate degli Autori, seção paralela de Veneza dedicada ao cinema de autor. O prêmio consolidou a diretora como uma das vozes mais potentes do audiovisual brasileiro contemporâneo.
Quem acompanha o circuito de drama autoral brasileiro reconhece nesse recorte a mesma linhagem de obras como Redemoinho e Joaquim, que também mergulham em universos regionais com olhar documental.
A expectativa é que Manas circule ainda em festivais como Rotterdam e Brasília, ampliando o debate sobre violência de gênero na Amazônia antes de qualquer janela de streaming.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a interpretação de Jamilli Correa no papel de Marcielle é o coração do filme. Ela segura cenas longas, silenciosas, com uma contenção rara para uma atriz tão jovem. A direção de Marianna Brennand tira o melhor sem explorar a criança.
A presença de Dira Paes dá o contraponto de uma mãe que ama à sua maneira distorcida — talvez o trabalho mais corajoso da carreira dela em anos.
A fotografia do Marajó, feita em luz natural, transforma o rio, a lama e a chuva em quase um personagem. Há uma beleza hipnótica nos planos abertos que prende o olhar mesmo quando o roteiro pesa.
Ponto fraco: o ritmo é lento de propósito, e isso pode frustrar quem espera um arco mais direto de revide. A montagem aposta em elipses e silêncios que testam a paciência de quem não está acostumado com ficção contemplativa.
Algumas subtramas — especialmente as que envolvem personagens masculinos da comunidade — ficam esboçadas demais. Ficam perguntas que o filme claramente prefere deixar sem resposta, e isso incomoda.
Curiosidades de bastidores
- A gravação aconteceu de fato em uma comunidade ribeirinha do Marajó, com moradores locais compondo parte do elenco de apoio. A produção levou infraestrutura de saúde básica para a região como contrapartida.
- O título "Manas" faz referência a uma força feminina ancestral, ligada a águas e florestas, presente em narrativas indígenas e afro-brasileiras da Amazônia. Não é nome próprio — é conceito.
- O filme foi selecionado para mais de 15 festivais internacionais antes de chegar ao Brasil, o que é incomum para uma produção nacional estreante em longa.
Perguntas frequentes
Manas é baseado em fatos reais?
Não é uma adaptação direta de um caso específico, mas a diretora Marianna Brennand passou anos pesquisando relatos de mulheres ribeirinhas e relatos de violência de gênero no arquipélago do Marajó antes de escrever o roteiro.
Manas tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma seca, sem recursos extras após os créditos finais. Pode levantar e sair quando achar que a sessão acabou.
Qual é a classificação etária de Manas?
Classificação indicativa de 16 anos. O filme trata abuso sexual, violência doméstica e gravidez na adolescência sem suavizar, por isso não é recomendado para menores.
Manas já está disponível em streaming?
Não. Em 14 de maio de 2025 o filme estreia exclusivamente em circuito de festivais e salas selecionadas. A janela de streaming ainda não foi anunciada pela distribuição.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema autoral brasileiro: quem acompanha os lançamentos de filmes como Joaquim, Redemoinho e Teobaldo Morto, Romeu Exilado vai reconhecer aqui a mesma coragem formal e o mesmo compromisso com realidades pouco filmadas.
- Quem busca representatividade Amazônica: o filme faz algo raro no circuito nacional, que é retratar a vida ribeirinha sem cair no exotismo. O Marajó aparece em sua rotina, sua fé, sua violência e sua beleza cotidiana.
- Leitores de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo: quem se reconhece nas literaturas femininas negras e periféricas vai encontrar aqui uma tradução cinematográfica direta dessas vozes.
Título original: Manas
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 14/05/2025
Distribuidora: Festival
Diretor: Marianna Brennand
Principais atores: