Veja o trailer do filme Joaquim
Joaquim: um Brasil colonial que o cinema quase nunca mostra
Século XVIII, colônia dos Brasis. O ouro das minas começa a secar e a coroa portuguesa reage com mão de ferro sobre uma sociedade feita de escravizados, indígenas e mestiços.
Joaquim é um militar luso-brasileiro que ganha a vida caçando contrabandistas de ouro. Fora do uniforme, ele tem um projeto pessoal: comprar a alforria da escrava Preta, por quem é apaixonado.
A promoção que ele espera nunca chega. Aceita então a missão mais perigada que poderia existir: penetrar o Sertão Proibido para mapear novas minas. É a chance de subir de patente e libertar Preta, mas o preço pode ser a vida. O diretor Marcelo Gomes usa essa premissa para revisitar as raízes do país, em um drama de época que dispensa o ufanismo e prefere a fratura.
Estreia, carreira e legado
Joaquim chegou aos cinemas brasileiros em 20 de abril de 2017, pela Imovision, com sessão especial no Festival de Berlim 2017, na seção Panorama, onde foi bastante festejado como nova amostra do melhor cinema biográfico nacional.
Marcelo Gomes já chegava de uma filmografia autoral sólida, com títulos como Cinema, Aspirinas e Urubus e Trago comigo. Joaquim amplia esse olhar ao encarar o período colonial sem o tom de folheto didático. Passados os anos, o longa se consolidou como peça de resistência dentro do circuito de arte, sendo lembrado sempre que se discute representatividade, escravidão e sertão no cinema brasileiro.
Foi premiado em festivais como Guadalajara e no Brasil, e segue figurando em retrospectivas sobre o cinema contemporâneo do Nordeste.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a força silenciosa de Isabél Zuaa como Preta, contraponto a um protagonista falastrão e contraditório. A fotografia do sertão, árida e ensolarada, transforma a paisagem em personagem e dá densidade a um roteiro que aposta mais em atmosferas do que em frases de efeito.
Ponto fraco: o ritmo é lento e, em certos momentos, o longa se apoia em simbolismos que podem soar herméticos para quem espera uma biografia escolar. A jornada de Joaquim pelo sertão tem trechos contemplativos demais, com pouca recompensa narrativa no ato final.
- O roteiro é baseado em figuras reais da crise da mineração no Brasil colonial, mas toma liberdade poética ao construir o triângulo Joaquim, Preta e Cipriano.
- As filmagens foram realizadas em locais remotos do interior da Bahia, usando luz natural e pouca maquiagem para reforçar o tom documental.
- O filme teve sessão especial no Festival de Berlim 2017, na seção Panorama, recebendo elogios da crítica europeia por sua abordagem da história brasileira.
Joaquim é baseado em uma história real? Sim. O filme parte de registros históricos sobre a crise da mineração no século XVIII, mas combina personagens reais e ficcionais para construir a narrativa de Joaquim e Preta.
Onde assistir Joaquim (2017) online? O longa circulou em catálogos digitais, mostras universitárias e na programação da Imovision, com exibições em festivais como o de Brasília. Procure nas plataformas de streaming e em mostras de cinema brasileiro.
Joaquim é indicado para quem gosta de qual cinema? Para fãs do cinema de Marcelo Gomes, de dramas históricos como O Nó do Diabo e de obras que revisitam o passado colonial sem moralismo, à moda de São Jorge.
Pra quem é este filme:
- Fãs do cinema de autor de Marcelo Gomes e do circuito de festivais como Berlim e Gramado.
- Interessados em história colonial brasileira, escravidão e formação do sertão.
- Quem curte dramas de época com摄影 contemplativa, atrizes e atores de teatro e trilha sonora discreta.
Título original: Joaquim
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 20/04/2017
Distribuidora: Imovision
Diretor: Marcelo Gomes
Principais atores: