O que é Jubiabá
Jubiabá é um drama dirigido por Nélson Pereira dos Santos, baseado no romance de Jorge Amado, que mistura ficção literária e elementos autobiográficos do autor baiano.
Na Salvador da primeira metade do século XX, acompanhamos Antônio Balduíno, interpretado por Grande Otelo. Negro, pobre e cheio de vitalidade, Balduíno vive com a tia até a doença dela mudar tudo.
Arranjado como empregado na casa de um comendador, apaixona-se por Lindinalva, a filha branca do patrão. O caso é descoberto pela governanta portuguesa Amélie, e o castigo vem rápido: espancamento e expulsão.
A partir daí, Balduíno vira malandro de rua, circula pelo candomblé, pelo samba e pela capoeira, sem esquecer Lindinalva. É um retrato da Bahia profunda, feito nos anos 1980 com olhar dos anos 1960.
Estreia e legado
Jubiabá chegou aos cinemas em 17 de setembro de 1987, fruto de uma coprodução entre Brasil e França que, à época, irritou parte da crítica por ver a mão francesa na estrutura narrativa.
O filme dialoga diretamente com o Cinema Novo, movimento do qual Nélson Pereira dos Santos é um dos pais, e repete temas caras ao diretor de Vidas Secas e Memórias do Cárcere: miséria, resistência negra e identidade brasileira.
Hoje, é lembrado como uma adaptação ousada de Jorge Amado, que não poupou a sexualidade de Balduíno nem a violência racial da elite baiana. Permanece raro em catálogos de streaming e é citado em cursos de cinema brasileiro.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Nélson Pereira dos Santos conduz a narrativa com camadas políticas sem soar panfletária. A sequência no terreiro e a malandragem de Balduíno pelas ladeiras de Salvador têm poesia rara.
Grande Otelo entrega uma performance magnética, com o deboche e a dor que só ele sabia dosar. O elenco de apoio, com Betty Faria, Zezé Motta, Ruth de Souza e Jofre Soares, dá corpo a um mosaico da Bahia.
Ponto fraco: o ritmo é contemplativo, o que pode afastar quem espera um Jorge Amado solar. A coprodução francesa aparece em alguns enquadramentos que destoam do resto, e a versão disponível às vezes tem qualidade de imagem irregular.
Curiosidades
- O roteiro é uma livre adaptação do romance Jubiabá (1935), de Jorge Amado, uma das obras de formação do autor.
- O título faz referência a Jubiabá, entidade do candomblé baiano ligado aos raios e à guerra, citada no romance como mentor espiritual de Balduíno.
- Foi uma das raras coproduções franco-brasileiras do período, o que explica a presença de Catherine Rouvel e de outros atores europeus no elenco.
Perguntas frequentes
Jubiabá é baseado em qual livro?
O filme é uma adaptação do romance de mesmo nome escrito por Jorge Amado, publicado em 1935, e dirigido por Nélson Pereira dos Santos.
Jubiabá tem cena pós-créditos?
Não. A narrativa se encerra antes dos créditos finais, sem cenas extras ou teasers.
Onde assistir Jubiabá online?
O filme é raro em catálogos de streaming e circula principalmente em mostras de cinema, cineclubes e universidades; vale checar mostras dedicadas ao Cinema Novo.
Pra quem é este filme:
- Fãs do Cinema Novo brasileiro e da obra de Nélson Pereira dos Santos que querem revisitar um título menos exibido.
- Leitores de Jorge Amado interessados em ver o universo do autor baiano transposto por um diretor com olhar político.
- Pesquisadores e estudantes de cinema que querem analisar representatividade negra, sincretismo religioso e coproduções Brasil-França dos anos 1980.
Título original: Jubiabá
País de origem: França
Data do lançamento: 17/09/1987
Diretor: Nélson Pereira dos Santos
Principais atores: