Veja o trailer do filme Jogo das Decapitações
Jogo das Decapitações
O que é Jogo das Decapitações?
Leandro tem 30 anos, emprego estável e uma vida que ele mesmo descreve como estagnada. Cansado do trabalho, ele agarra a chance de mudar de ares ao entrar no mestrado.
A pesquisa gira em torno das pessoas que sumiram durante a ditadura militar. A investigação começa acadêmica, mas ganha contornos pessoais quando ele cruza com a obra de Jairo Mendes, artista morto dentro de um presídio depois de matar a própria esposa.
O livro Inverno nos Trópicos: Cartas, Memórias e Bombas vira obsessão. A partir dele, Leandro parte atrás de um filme que Jairo teria dirigido, censurado pelo regime e dado como desaparecido. O longa dentro do longa, Jogo das Decapitações, nunca foi encontrado, mas o eco de sua existência atravessa toda a narrativa.
Estreia e legado
Jogo das Decapitações estreou nos cinemas brasileiros em 19 de junho de 2014, longe das grandes blockbusters, em circuito reduzido. É um filme para quem garimpa a programação de arte nas salas alternativas.
A obra se insere na filmografia de Sergio Bianchi, diretor com histórico de provocar o público com temas incômodos — mesmo quem não curtiu o ritmo reconhece a coragem do recorte.
Passada mais de uma década da estreia, o longa permanece pouco falado fora do circuito autoral, mas cultuado por quem se interessa por memória, ditadura e cinema marginal. Não ganhou projeção comercial, tampouco disputou Oscar ou Cannes, mas cumpre função rara: revisitar a ditadura por um ângulo quase surreal.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a proposta é corajosa. Usar um filme fictício censurado como metáfora da ditadura é um recurso inteligente, e a direção de Sergio Bianchi imprime um clima seco, cerebral, raro no drama nacional.
As atuações do elenco veterano — incluindo Maria Alice Vergueiro, Paulo César Pereio e Sergio Mamberti — sustentam os momentos mais densos do roteiro.
Ponto fraco: o ritmo é lento, a narrativa fragmentada e o tom ensaístico cobra paciência. Quem busca entretenimento leve vai se frustrar. O longa conversa mais com a cabeça do que com o estômago.
Curiosidades
- O longa dentro do longa — também chamado Jogo das Decapitações — não existe de verdade: foi criado pelo roteiro como um filme fictício censurado pela ditadura, o que reforça o tema da memória apagada.
- O diretor Sergio Bianchi é conhecido pelo cinema de provocação, e Para Minha Amada Morta e Quanto Vale ou É por Quilo? são boas portas de entrada para entender o estilo dele.
- O filme aposta em um elenco majoritariamente veterano, com nomes como Antônio Petrin, Ana Carbatti, Claudia Mello e Maria Manoella, reforçando o tom de cinema de arte.
Perguntas frequentes
Jogo das Decapitações é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficcional, mas se inspira no clima de censura, desaparecimentos e produção cultural marginalizada durante a ditadura militar brasileira (1964-1985).
Onde assistir Jogo das Decapitações online?
O filme teve circulação limitada em 2014 e hoje aparece com mais facilidade em mostras e sessões especiais do que em plataformas de streaming. Consulte a programação de cinema da sua cidade na seção abaixo.
Jogo das Decapitações tem cena pós-créditos?
Não há cena pós-créditos registrada. O final do longa é contemplativo, condizente com o tom de drama reflexivo proposto pela direção.
Pra quem é este filme:
- Quem curte cinema autoral brasileiro e está de olho em diretores como Sergio Bianchi, com obras como Cronicamente Inviável e Romance.
- Pesquisadores e estudantes de história, jornalismo e artes interessados em investigar a ditadura por caminhos menos óbvios, fugindo do didatismo escolar.
- Leitores de ensaio e ficção experimental, acostumados com narrativas em camadas, metalinguagem e livros que tratam arte, política e violência como um mesmo campo.