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El Topo

El Topo: o faroeste psicodélico que mudou o cinema underground

El Topo é daqueles filmes que não pedem licença para entrar. A câmera já abre em sangue e, a partir dali, Alejandro Jodorowsky conduz o espectador por um deserto onde lógica e delírio dividem o mesmo copo d'água.

Na pele de um pistoleiro de roupa preta, o próprio Jodorowsky atravessa paisagens inóspitas do México rural, cruza com comunidades estranhas, enfrenta quatro mestres em duelos que viram rituais e atravessa provações físicas que beiram a autoflagelo.

O filho do diretor, Brontis Jodorowsky, interpreta a criança que segue o protagonista e é forçada a abandonar qualquer traço de infância para sobreviver ao lado daquele pai excêntrico e implacável.

É faroeste sem cavalo nem cidade, é experimental sem virar exercício gratuito, é ficção mística que mistura Bíblia, tarot e surrealismo em partes iguais.

Como El Topo nasceu, explodiu e virou lenda

El Topo estreou em 1970 e fez algo quase impossível para a época: virou fenômeno underground longe dos grandes circuitos. Projetado em sessões da meia-noite em Nova York, o filme arrastou multidões de hippies, artistas e cineastas que tratavam a sessão quase como um evento religioso.

John Lennon e Dennis Hopper, por exemplo, aparecem nos registros como fãs declarados. O longa entrou no Guinness como o mais exibido em sessões da meia-noite, cargo que manteve por anos.

Hoje, é tido como marco do cinema experimental latino-americano, influência direta de cineastas como Terrence Malick e Nicolas Winding Refn, e peça fundamental para entender a filmografia posterior de Jodorowsky, de A Montanha Sagrada a Poesia Sem Fim. Reexibido no Brasil em 11/02/2022, o longa continua provocando o mesmo tipo de reação: amor visceral ou rejeição imediata.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de Jodorowsky é inventiva do início ao fim. Cenários que parecem quadros vivos, trilha sonora da banda Noise Maker's Five Sons que gruda na memória e atuações entregues ao extremo físico e emocional.

A maneira como o filme costura crítica à violência, espiritualidade e crítica ao colonialismo sem nunca dar moral pronta é rara, mesmo décadas depois.

Ponto fraco: o ritmo é irregular e pode frustrar quem espera narrativa linear. A segunda metade é contemplativa ao ponto de testar a paciência de espectadores menos acostumados com cinema de autor radical. E a violência, explícita e simbólica, não avisa antes de chegar.

Curiosidades de bastidores

  • O filme foi rodado em locações reais do deserto mexicano, com剧组 exposto a sol extremo, fome e conflitos durante meses de gravação
  • Brontis Jodorowsky tinha cerca de 10 anos durante as filmagens e várias cenas exigiram dele reações físicas e emocionais fortes
  • John Lennon foi um dos responsáveis por ajudar a viabilizar a distribuição nos Estados Unidos após assistir ao filme em sessão da meia-noite

Perguntas frequentes sobre El Topo

El Topo é um faroeste comum?

Não. É um faroeste psicodélico e místico, sem a estrutura clássica de mocinho e duelo final. A violência aparece como linguagem, não como entretenimento fácil.

Qual a relação entre El Topo e A Montanha Sagrada?

Sãocompanhia de jornada. El Topo é o filme da busca física; A Montanha Sagrada é a continuação espiritual, com tom ainda mais simbólico e surreal.

El Topo tem cena pós-créditos?

Não. O encerramento é seco e definitivo, sem gancho, sem alívio, sem bilhete para o público que ficou até o fim dos créditos.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de autor radical e obras que não cabem em gênero único
  • Entusiastas de Santa Sangre, A Montanha Sagrada e Fando y Lis que querem entender a origem do mito Jodorowsky
  • Curiosos por misticismo, alquimia, simbolismo cristão e iconografia esotérica atravessando a linguagem do faroeste

Título original: El Topo

País de origem: México

Data do lançamento: 11/02/2022

Distribuidora: Sem Distribuidor

Diretor: Alejandro Jodorowsky

Principais atores: