Veja o trailer do filme A Montanha Sagrada
O Filme
Em uma cidade estranha e vertical, um ladrão parecido com Cristo rouba moedas, urina e debocha da espiritualidade ao seu redor. Ele é resgatado por um alquimista que se autointitula seu guia espiritual.
Esse guia, vivido pelo próprio Alejandro Jodorowsky, apresenta sete figuras poderosas, cada uma ligada a um planeta do sistema solar, ao ladrão vivido por Horacio Salinas.
Juntos, eles marcham rumo à Montanha Sagrada, onde deuses imortais controlam o destino do mundo. A ideia: destronar essas entidades e assumir o poder.
Se você busca aventura, fantasia e drama tradicionais, pode estranhar. O filme é uma experiência sensorial, um manifesto visual sobre espiritualidade, poder e manipulação.
Estreia e Legado
La Montaña Sagrada estreou em 1973, logo depois do estouro cult de El Topo, e dividiu plateias entre devotos e detratores. Cineastas como John Waters, David Lynch, Marina Abramovic e até os Beatles foram marcados pela obra.
Na última década, ganhou restaurações em 4K e voltou aos cinemas como evento. No Brasil, a reexibição ocorreu em 6 de maio de 2022, devolvendo ao público a chance de ver o filme em cópia restaurada e relançando o debate sobre sua influência no cinema contemporâneo.
Hoje, é presença obrigatória em qualquer lista de cinema cult, experimental e de vanguarda, citado por diretores como Darren Aronofsky e Guillermo del Toro.
Vale o Ingresso?
Ponto alto: a direção de arte é atordoante. Cenários, figurinos e象征ismose misturam em um mosaico de cores, texturas e rituais que hipnotizam. É cinema como arte total, coisa rara.
A atuação silenciosa de Horacio Salinas funciona como uma âncora em meio ao caos simbólico. A trilha sonora e os movimentos de câmera criam um transe difícil de esquecer.
Ponto fraco: o ritmo é lento e o roteiro propositalmente hermético. A violência explícita e os símbolos de forma alguma são explicados ao espectador. Quem busca narrativa convencional vai sair frustrado.
Sua experiência depende muito do estado de espírito. Não é filme para fundo de maratona, e sim para sessão dedicada.
Curiosidades
- O filme foi parcialmente financiado por John Lennon e Yoko Ono, que eram fãs de El Topo.
- As cenas de insetores e amputações do início eram reais: o próprio Jodorowsky coxeou por meses após uma das sequências.
- Foi restaurado em 4K pelo próprio Jodorowsky e pelo estúdio ABKCO, relançado no Brasil em 2022 com novas cópias.
Perguntas Frequentes
A Montanha Sagrada tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com uma sequência longa e simbólica, sem ganchos extras ou cenas após os créditos finais.
A Montanha Sagrada é baseado em alguma obra literária?
Não diretamente. O roteiro bebe de fontes como o livro A Montanha Mágica, de Thomas Mann, e de tratados de alquimia e astrologia esotérica.
A Montanha Sagrada é sequência de El Topo?
Não é continuação narrativa, mas é a segunda parte da trilogia pânica de Jodorowsky, iniciada com Fando y Lis e fechada com El Topo.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema cult e experimental: pessoas que assistiram El Topo, Santa Sangre e obras do cinema marginal com fascínio.
- Entusiastas de simbologia, alquimia e ocultismo: leitores de Jung, Castaneda, tarot e mitologia comparada.
- Cineastas e estudantes de arte: quem se interessa por direção de arte, linguagem visual e narrativas não lineares.
Título original: La Montaña Sagrada
País de origem: México
Data do lançamento: 06/05/2022
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Alejandro Jodorowsky
Principais atores: