DANTON - O PROCESSO DA REVOLUÇÃO

DANTON - O PROCESSO DA REVOLUÇÃO

Sobre o que é Danton

Primavera de 1794. Paris está em frangalhos. Gérard Depardieu interpreta Georges Danton, um dos grandes nomes da Revolução Francesa, que volta à capital francesa depois de um período fora do jogo político.

O que ele encontra é o oposto do que ajudou a construir. O Comitê de Salvação Pública, sob o comando de Robespierre, transformou o ideal de liberdade em máquina de execuções. O povo troca a fome pelo medo, e qualquer desagrado ao poder vira crime contra-revolução.

O longa de Andrzej Wajda parte da peça A Danton Affair, de Stanislawa Przybyszewska, e se concentra no embate entre os dois antigos aliados: o Danton que quer frear o terror e o Robespierre que enxerga a guilhotina como ferramenta de pureza ideológica.

Quando estreou e por que ainda importa

O filme é de 1983, fruto de uma coprodução entre França e Polônia. Foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e levou o BAFTA de melhor filme em língua não inglesa. No Brasil, ganhou uma janela de reexibição em 2017, quando voltou a circular em salas alternativas.

Wajda, mestre do cinema polonês e autor de O Homem de Ferro e Cinzas e Diamantes, tinha uma obsessão declarada por Danton. Via no personagem um eco dos dilemas da Polônia sob o regime comunista. Essa leitura política atravessa cada plano do filme.

Hoje, a obra é referência obrigatória em qualquer lista de filmes históricos sobre revoluções, ao lado de títulos como O Vale do Amor e Afterimage, também de Wajda.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de Wajda é cirúrgica. Ele conduz os longos diálogos de tribunal como se fossem cenas de guerra, com closes sufocantes e uma fotografia de Igor Luther que beira o expressionismo. O duelo entre Depardieu e Wojciech Pszoniak como Robespierre é cinema do mais alto nível.

Ponto fraco: o ritmo é denso. Quem espera um drama de tribunal ágil vai estranhar a cadência quase teatral. São mais de duas horas de discursos, interrogatórios e jogos de poder que exigem paciência do espectador.

Bastidores e curiosidades

  • O roteiro é uma adaptação da peça polonesa A Danton Affair, escrita por Stanislawa Przybyszewska nos anos 1930 e considerada uma das peças políticas mais importantes do século XX.
  • Andrzej Wajda se preparou durante anos para fazer o filme. Para ele, Danton era o retrato perfeito do intelectual que tenta se opor ao autoritarismo, tema central de sua obra.
  • Patrice Chereau, que vive Camille Desmoulins, também era diretor de teatro e cinema, responsável por obras como Rainha Margot.

Perguntas frequentes sobre Danton

Danton (1983) está disponível em streaming?
Sim, o filme aparece com regularidade em catálogos de cinema europeu e em mostras de clássicos. Confirme na grade do seu streaming favorito.

Danton tem cena pós-créditos?
Não. A obra termina no julgamento e na execução, sem cenas extras após os créditos.

Danton ganhou Oscar?
Foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1984, mas não levou a estatueta. Conquistou o BAFTA na mesma categoria.

Pra quem é este filme:

  • Entusiastas de história da Revolução Francesa e do período do Terror.
  • Fãs do cinema político europeu e da filmografia de Andrzej Wajda.
  • Quem curte dramas de tribunal com diálogos densos e atuações carregadas.