Premissa
Em O Homem de Ferro, o diretor Andrzej Wajda transporta o espectador para a Varsóvia comunista de 1980, em plena ebulição do movimento grevista nos estaleiros de Gdańsk.
O Partido envia o repórter Winkel, vivido por Marian Opania, com a missão clara de descredibilizar os trabalhadores. Winkel é um jornalista bebedor, cínico, que aceita a tarefa sem pensar duas vezes.
No entanto, ao se infiltrar entre os grevistas, ele cruza com o jovem operário Maciej Tomczyk, personagem de Jerzy Radziwiłowicz, e com sua companheira Krystyna Janda como Agnieszka.
O choque entre a versão oficial do regime e a realidade vivida nos estaleiros redesenha a visão de Winkel. A reportagem vira um confronto interno, e o filme transforma uma trama política em estudo de caráter.
É uma obra de drama histórico que dialoga direto com o predecessor O Homem de Mármare e se sustenta pela escrita precisa dos diálogos.
Estreia e legado
O longa original chegou aos cinemas poloneses em 1981, no mesmo ano em que a lei marcial foi declarada pelo general Jaruzelski. Wajda terminou a montagem em meio ao cerco ao movimento Solidariedade, o que dá ao filme um sabor de registro urgente.
No Festival de Cannes daquele ano, Jerzy Radziwiłowicz levou o prêmio de Melhor Ator, reconhecimento raro para um filme de temática operária.
No Brasil, o título só ganhou circuito de arte em 16 de março de 2017, em cópias restauradas que permitiram ao público local finalmente conhecer a segunda parte da trilogia informal de Wajda sobre o operariado polonês.
Hoje, é citado como peça-chave para entender o cinema histórico europeu do pós-guerra e o desabrochar da consciência política na tela.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a maneira como Wajda conduz a mudança de perspectiva do protagonista é cirúrgica. Não há discurso inflamado, apenas a erosão lenta das certezas de Winkel diante de rostos e histórias reais.
O elenco entrega atuações contidas, com destaque para o trio Marian Opania, Jerzy Radziwiłowicz e Krystyna Janda, que sustentam a carga política sem apelar ao panfleto.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento, quase teatral, o que pode afastar quem espera tensão de thriller.
Há também alguns saltos narrativos entre as entrevistas que exigem atenção redobrada para conectar os fios da história.
Curiosidades
- O roteiro foi adaptado do romance Człowiek z marmuru e de uma continuação literária que deu origem ao título Człowiek z żelaza.
- Wajda gravou boa parte das cenas com extras que haviam participado das greves reais de 1980, reforçando o tom documental.
- O filme integra a chamada trilogia do homem, ao lado de O Homem de Mármare e do curta-metragem Afterimage.
Perguntas frequentes
O Homem de Ferro é sequência de O Homem de Mármare?
Sim. Os dois filmes compartilham universo temático e foram pensados como uma díptico sobre o operariado polonês.
O filme ganhou algum prêmio importante?
Levou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes de 1981 com Jerzy Radziwiłowicz.
Qual é a duração do filme?
São 154 minutos, aproximadamente 2 horas e 34 minutos, em ritmo de drama de época.
Pra quem é este filme:
- Fãs do drama político europeu e das obras de Andrzej Wajda como Cinzas e Diamantes e Kanal.
- Interessados em história do século XX, Guerra Fria e o movimento Solidariedade na Polônia.
- Leitores de jornalismo literário, que apreciam retratar a dúvida ética dentro da profissão.
Título original: CZLOWIEK Z ZELAZA
País de origem: POLÔNIA
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Andrzej Wajda
Principais atores: