Veja o trailer do filme Acorrentados
O que é Acorrentados
Dois prisioneiros fogem de um ônibus que seguia para o presídio, mas eles estão presos um ao outro por uma corrente. Um é branco, o outro é negro, e os dois se odeiam. Esse é o ponto de partida de The Defiant Ones (1958), título original de Acorrentados, filme dirigido por Stanley Kramer que mistura suspense, drama e crítica racial em plena era de ouro de Hollywood.
A premissa é simples, quase teatral, e é exatamente essa simplicidade que faz a história funcionar: a corrente é a metáfora perfeita para uma sociedade forçada a olhar para o outro.
Lançamento e legado
Acorrentados estreou nos Estados Unidos em agosto de 1958 e, no Brasil, circulou no mesmo ano com o título que ficou famoso. A produção foi um evento: o estúdio United Artists apostou alto em um roteiro de Nedrick Young e Harold Jacob Smith, que venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original.
Sidney Poitier recebeu uma indicação histórica ao Oscar de Melhor Ator, a primeira para um ator negro em Hollywood. A fotografia em preto e branco de Sam Leavitt, a montagem de Frederic Knudtson e a trilha de Ernest Gold também foram indicadas.
Hoje o filme é estudado em cursos de cinema e história americana como retrato das tensões raciais do período e como um dos primeiros buddy movies modernos, referência para obras como Sete Homens e um Destino.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre Tony Curtis e Poitier é genuína. As cenas de corrida, queda e embate físico entre os dois carregam tensão real, e o roteiro de Young e Smith não escolhe lado: os dois personagens são falhos, teimosos, perigosos.
A direção de Kramer segura o tom sem cair no panfleto, o que é raro para um filme com tema racial na época.
Ponto fraco: o ritmo é mais lento do que o público acostumado a suspense contemporâneo espera. Há longas conversas, silêncios longos e pouca ação explosiva. Quem busca adrenalina pura pode achar arrastado.
O final, simbólico e ousado para a época, divide opiniões até hoje.
Curiosidades
- Tony Curtis e Sidney Poitier ficaram realmente acorrentados entre si durante boa parte das filmagens para improvisar movimentos mais naturais.
- Sidney Poitier só aceitou o papel depois que o roteiro deixasse claro que o personagem não seria inferiorizado ao do colega branco.
- O filme foi exibido na União Soviética durante um período de distensão e virou um dos títulos americanos mais vistos do ano no país.
Perguntas frequentes
Acorrentados é baseado em fatos reais?
Não. O roteiro é original, de Nedrick Young e Harold Jacob Smith, escrito durante um período de blacklist em Hollywood, o que rendeu o Oscar mesmo com autores não creditados oficialmente por anos.
Qual a classificação etária no Brasil?
Acorrentados é classificado para 14 anos, devido a cenas de violência física e tensão racial explícita para os padrões da época.
Acorrentados tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina nos créditos finais, com a sequência da perseguição já encerrada antes do fechamento da tela.
Pra quem é este filme:
- Fãs de clássicos do cinema que assistem TCM e Letterboxd como rotina.
- Interessados em história de Hollywood e na representatividade negra nos anos 1950.
- Quem curte buddy movies e dramas de fuga, de Nascido Para Matar a Desejo de Matar.
Título original: The Defiant Ones
País de origem: EUA
Diretor: Jennifer Lynch, Stanley Kramer
Principais atores: