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A Malvada

A Malvada

14 Drama Comédia Dramática Duração: 2h 19min

Do palco para a sombra: a engolida que virou engolidora

Em A Malvada, uma fã tímida cruza a porta dos bastidores da Broadway e nunca mais sai de lá — até ocupar o lugar da mulher que a acolheu. É assim, em uma frase, que o filme de Joseph L. Mankiewicz apresenta o seu motor narrativo: a lenta, cirúrgica e quase invisível tomada de poder.

O ponto de partida é a noite do prêmio Sarah Siddons, quando Eve Harrington recebe o troféu das mãos de Karen Richards. A partir daí, a história recua e revela quem é Eve de verdade — e o preço que Margo Channing vai pagar por ter confiado nela.

Mais do que um drama de época, é um estudo de caráter disfarçado de comédia dramática. Cada fala é uma faca embrulhada em veludo.

1950: o ano em que Hollywood olhou para o espelho

Lançado em 02 de março de 1950 nos Estados Unidos, A Malvada chegou em um momento em que a indústria ainda digeria o fim da era de ouro e tentava se reinventar. O público respondeu com força: o filme se tornou a maior bilheteria da 20th Century Fox naquele ano.

No Oscar 1951, a consagração foi total. Levou seis estatuetas, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro — feito raro para um filme centrado em personagens femininas. George Sanders ainda ganhou o de Melhor Ator Coadjuvante, pelo ácido crítico Addison DeWitt.

Décadas depois, continua sendo citado como matriz de countless imitações. A citação de Addison DeWitt sobre aplausos foi parar até na abertura do musical Applause (1970), e a estrutura da “fã que engole a estrela” virou clichê — prova de que o original continua difícil de igualar.

Vale o ingresso? O que funciona e o que não funciona

Ponto alto: o roteiro de Mankiewicz. Cada cena é um duelo verbal, com frases que parecem improvisadas mas são milimetricamente construídas. É o tipo de filme que envelhece porque é sobre comportamento humano, não sobre moda ou tecnologia.

Ponto alto duplo: o elenco. Bette Davis entrega Margo como uma leoa acuada que ainda tenta morder, e Anne Baxter faz de Eve uma das antagonistas mais inquietantes do cinema clássico — porque ela raramente levanta a voz.

Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem busca ação ou reviravoltas visuais pode achar A Malvada parado demais. É teatro filmado, assumido.

Ponto fraco menor: a representação feminina da época tem um viés de época — Margo é definida em parte pela relação com o parceiro mais jovem, e algumas cenas envelheceram mal nesse quesito.

3 fatos rápidos sobre os bastidores

  • O roteiro foi adaptado de um conto curto e de uma radiodramaturgia, ambos adaptados por Mankiewicz. Ele mesmo dirigiu e escreveu — combinação rara que rendeu dois Oscars.
  • Marilyn Monroe aparece como uma das convidadas da festa de Margo, em uma de suas primeiras aparições no cinema. Ela não tem fala, mas está lá — e já chama atenção.
  • O filme ganhou um musical na Broadway em 1956, chamado Applause, e foi refeito em 2014 como The Neighbourhood na TV canadense. A estrutura de “sucessora traiçoeira” também inspirou Jogo Mortal e o longa The Star (2017).

Perguntas frequentes sobre A Malvada

A Malvada é baseado em fatos reais? Não. O filme parte de um conto e de uma radiodramaturgia, mas é costumeiramente lido como uma sátira ao próprio sistema de estrelas de Hollywood, especialmente às estrelas do teatro da Broadway dos anos 1940.

Quantos Oscars A Malvada ganhou? Seis estatuetas no Oscar 1951, entre elas Melhor Filme, Melhor Diretor (Mankiewicz), Melhor Roteiro (Mankiewicz) e Melhor Ator Coadjuvante (George Sanders). Foi o filme com mais prêmios naquela noite.

A Malvada tem cena pós-créditos? Não. O filme termina antes dos créditos com um último comentário ácido de Addison DeWitt, e não há cena extra depois. Tudo que você precisa está dentro那些 139 minutos.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema clássico americano: quem curte O que terá acontecido a Baby Jane?, Cleópatra e obras com astros do Old Hollywood vai reconhecer aqui a mesma linhagem de estrelas, figurinos e dramas de bastidor.
  • Admiradores de diálogos afiados: o roteiro de Mankiewicz é referência obrigatória para quem gosta de Who’s Afraid of Virginia Woolf?, de peças da Broadway ou de séries atuais como Succession, onde cada frase é uma punhalada.
  • Apaixonados por anti-heroínas: se você gosta de personagens moralmente ambíguos, manipulação elegante e histórias de ascensão a qualquer custo, Eve Harrington é praticamente a matriarca dessa linhagem — precede Tudo Sobre Minha Mãe e muitas vilãs do cinema contemporâneo.