Veja o trailer do filme Wiener-Dog
Wiener-Dog
O Filme
Wiener-Dog é um mosaico tragicômico construído em quatro capítulos, costurado pela presença silenciosa de uma basset hound. O Todd Solondz reativa Dawn Wiener — a anti-heroína de Bem-vindo à Casa de Bonecas — agora vivida por uma Greta Gerwig contida, muito distante do registro leve de Mulheres do Século 20.
Entre um garoto doente, uma veterinária, um professor obcecado por cinema e uma avó rancorosa, a cadelinha funciona como fio condutor de uma comédia dramática que prefere o desconforto à catarse fácil.
Estreia e legado
Wiener-Dog estreou no Festival de Sundance em janeiro de 2016, fora da competição, e circularam depois por festivais europeus como Berlim. Chegou ao Brasil em 16 de março de 2017, com distribuição da Festival em circuito limitado.
É o longa mais cirúrgico de Solondz depois de Bem-vindo à Casa de Bonecas (1995) e As Virgens Suicidas (2000) em termos de influência sobre o indie americano dos anos 2010. Não levou Oscar nem Palma, mas entrou no Top 10 de 2016 de vários críticos americanos e mantém reputação de cult no circuito de cineclubes.
Hoje é lembrado como um exercício preciso de humor negro e como o ponto de virada em que Greta Gerwig deixou de ser só atriz indie para virar também autora, no mesmo ano em que despontou em Mulheres do Século 20.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Solondz encontra seu tom mais maduro. O roteiro interliga os quatro episódios sem didatismo, e a basset funciona como mecanismo narrativo elegante, quase como o hospital psiquiátrico de Um Estranho no Ninho: um lugar que absorve todo tipo de miséria humana.
As aparições curtas de Danny DeVito e Ellen Burstyn rendem dois dos melhores momentos do filme.
Ponto fraco: a estrutura fragmentada exige paciência. Quem busca arco emocional linear, romance ou resolução clara pode sair frustrado. A sensação de piada interna sobre o universo Solondz é intencional, mas afasta quem não acompanha o autor desde Matilda — quer dizer, Bem-vindo à Casa de Bonecas (o equivalente atual, guardadas as proporções, de Matilda no campo do afeto infantil).
Curiosidades
- Todd Solondz escreveu o roteiro em segredo e só revelou o elenco próximo da estreia em Sundance, o que alimentou o burburinho de festival.
- A basset que dá título ao filme foi treinada para reagir a comandos mínimos, e Solondz usou três cadelas diferentes para cobrir as diferentes fases da história.
- É a primeira vez que Dawn Wiener aparece fora de Bem-vindo à Casa de Bonecas e Happiness, encerrando uma trilogia informal de quase vinte anos do autor.
Perguntas frequentes
Wiener-Dog vale a pena? Vale, especialmente para quem curte indie de humor negro e cinema de Sundance. Não espere catarse nem humor escrachado: o filme é seco, curto (90 minutos) e construído em quatro vinhetas independentes.
Wiener-Dog tem cena pós-créditos? Não. O longa termina com um corte seco logo após o segmento com Ellen Burstyn, sem teasers nem créditos extras.
Wiener-Dog é o mesmo que Bem-vindo à Casa de Bonecas? Não. É uma continuação temática de Solondz, com a mesma Dawn Wiener agora adulta, mas funciona como obra autônoma para quem nunca viu os filmes anteriores do diretor.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Todd Solondz e do indie americano dos anos 1990-2000, especialmente quem revisita As Virgens Suicidas com regularidade.
- Espectadores de humor negro contemplativo no estilo de Éden e do cinema de festival que circula entre Sundance, Berlim e Locarno.
- Curiosos que querem ver a Greta Gerwig pré-autora, antes do estouro de Mulheres do Século 20 e da parceria com Noah Baumbach — uma boa ponte para entender a atriz que depois estaria em Jackie e O Plano de Maggie.
Título original: Wiener-Dog
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: Festival
Diretor: Todd Solondz
Principais atores: