Veja o trailer do filme Viagem Alucinante
O que esperar do filme
Em Tóquio, Oscar (Nathaniel Brown) sobrevive de vender drogas e mora com a irmã mais nova, Linda (Paz de la Huerta), que trabalha como stripper. Os dois carregam a marca de um trauma antigo: a morte dos pais num acidente que Oscar presenciou na infância.
Depois de engolir DMT numa transação, ele é baleado pela polícia dentro do próprio apartamento. A partir daí, a narrativa abandona a linearidade. Gaspar Noé transforma a câmera nos olhos de um espírito que flutua sobre Tóquio, revisita memórias e atravessa paredes, pessoas e ruas numa jornada sobre morte, culpa e dependência.
Para quem gosta de drama experimental e fantasia existencial, o filme é um dos projetos mais radicais do cinema de autor dos anos 2000.
Linha do tempo e legado
Viagem Alucinante estreou oficialmente em 2009, no Festival de Cannes, e ganhou versão estendida em 2010. Chegou ao circuito alternativo brasileiro em sessões de meia-noite, onde virou cult entre cinéfilos.
Não é um filme de Oscar nem de grandes premiações comerciais. O reconhecimento veio mesmo das listas de melhores do ano em publicações independentes e de cineastas como Gaspar Noé se firmarem como o nome mais provocativo do cinema francês. Quentin Tarantino chegou a declarar publicamente que era seu filme favorito daquela safra.
Quase quinze anos depois, o longa segue citado em ensaios sobre cinema transcendental e continua aparecendo em tops de Letterboxd como referência obrigatória de narrativa psicodélica.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de arte, a paleta neon inspirada nos mangás, a câmera subjetiva e a abertura em primeira pessoa são marcas autorais. A sequência final de luzes piscando, com a câmera atravessando o neon de Tóquio, é uma das imagens mais bonitas e polêmias do cinema dos anos 2000.
Ponto alto: a trilha sonora eletrônica de Thomas Bangalter, do Daft Punk, em parceria com o guitarrista Mahoud Gholam, transforma a viagem de Oscar numa experiência quase hipnótica.
Ponto fraco: o ritmo é lento e repetitivo, com sequências longas de luzes piscando que testam a paciência de quem não está acostumado com o cinema de Noé.
Ponto fraco: o filme traz cenas de sexo explícito e aborto muito gráficas. Não é filme para qualquer momento nem para qualquer público.
Curiosidades de bastidores
- Thomas Bangalter, metade do Daft Punk, compôs parte da trilha sonora ao lado do guitarrista Mahoud Gholam.
- A abertura em primeira pessoa foi filmada com uma câmera instalada dentro de uma réplica de cabeça de silicone do ator principal.
- O longa foi gravado em ordem cronológica invertida em alguns blocos, para ajudar os atores a entrarem no estado emocional exigido por Noé.
Perguntas frequentes
Viagem Alucinante tem cena pós-créditos?
Não. A narrativa termina com o título The End, e o filme não traz cenas extras após os créditos finais.
Viagem Alucinante é baseado no Livro Tibetano dos Mortos?
Sim. Gaspar Noé se inspirou diretamente nesse texto budista para construir a jornada de Oscar após a morte e o ciclo de renascimento.
Viagem Alucinante é o mesmo que Enter the Void?
Sim. Enter the Void é o título original em inglês e Viagem Alucinante é a tradução usada na distribuição brasileira.
Qual a classificação etária do filme?
No Brasil, o longa é recomendado para maiores de 18 anos por causa das cenas de sexo explícito, violência e uso de drogas.
Pra quem é este filme:
- Fãs do Gaspar Noé que querem entender como o diretor evoluiu entre Irreversível e Love.
- Cinéfilos que curtem narrativa não-linear, simbolismo budista e experiência sensorial forte na sala de cinema.
- Leitores de ensaios sobre cinema transcendental, drogas psicodélicas e espiritualidade oriental em produtos culturais como os de Terrence Malick e Lars von Trier.
Título original: Enter the Void
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/2009
Diretor: Gaspar Noé
Principais atores: