VENCER
Sobre o que é Vincere
Vincere parte de uma pergunta histórica incômoda: o que aconteceu com a primeira mulher de Benito Mussolini antes dele se tornar o Duce. O filme acompanha Ida Dalser, umaendedora de ideias fervorosa e determinada, que encontra em Milão um jovem agitador socialista cheio de promessas de revolta contra a Igreja e a monarquia.
Ida acredita naquele homem, vende tudo o que tem e usa o dinheiro para bancar o jornal Il Popolo d'Italia, o embrião do futuro Partido Fascista. Quando a Primeira Guerra irrompe, Mussolini some no front e volta casado com outra mulher. A partir daí, a história vira uma cruzada pessoal contra um Estado que ainda nem existe formalmente, mas já sabe como apagar quem incomoda.
Linha do tempo e legado
Vincere estreou em 2009 no Festival de Cannes, na disputa pela Palma de Ouro, e chegou aos cinemas italianos em 2010. Passou pelo circuito de festivais e arte europeu antes de desembarcar no Brasil em 16 de março de 2017, em circuito limitado voltado a cinéfilos.
É um filme de Marco Bellocchio, diretor de referência desde os anos 1960, com obras-primas como A China Está Próxima e A Bela que Dorme. Vincere dialoga diretamente com O Diabo no Corpo, que o próprio Bellocchio lançou em 2017, formando um bloco temático sobre poder, corpo e subversão.
Mesmo fora do circuito premiadão, o longa mantém uma reputação cult entre historiadores, pesquisadores do fascismo e fãs do cinema político italiano.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a interpretação de Giovanna Mezzogiorno é o motor do filme. Ela conduz Ida da paixão cega à resistência enlouquecida com uma entrega física impressionante, sustentando sozinha cenas longas e densas.
Ponto alto: a mistura de imagens de arquivo manipuladas digitalmente, cinegiornale falso e cenas em preto e branco confere um visual que parece um pesadelo historiográfico, ousado e inesquecível.
Ponto fraco: o ritmo é lento, contemplativo, cheio de elipses. Quem busca uma narrativa convencional vai se perder nas escolhas formais de Bellocchio.
Ponto fraco: o roteiro peca por uma certa redundância na segunda metade, repetindo o mesmo gesto de apagamento histórico de Ida até cansar.
- O longa manipula digitalmente imagens de arquivo reais do cinegiornale italiano para inserir o rosto de Filippo Timi como Mussolini, criando uma colagem entre ficção e história que confunde propositalmente o espectador.
- Ida Dalser foi de fato internada em manicômios após a ascensão de Mussolini e morreu em 1937, em circunstâncias que ainda hoje geram debate entre historiadores italianos.
- Marco Bellocchio é um dos poucos diretores em atividade que estreou na década de 1960 e continua relevante, com mais de sessenta anos de filmografia, incluindo Bom Dia, Noite e Belos Sonhos.
Vincere é baseado em fatos reais?
Sim. O filme reconstrói a história de Ida Dalser, primeira esposa de Mussolini, mãe de seu filho primogênito, que teve a existência apagada pela historiografia oficial fascista. Os eventos centrais são documentados, mas Bellocchio trata a narrativa com liberdade poética.
Qual a classificação etária de Vincere no Brasil?
O filme recebeu classificação indicativa para maiores de 14 anos no Brasil, por conter cenas de violência, conteúdo sexual moderado e temas políticos sensíveis.
Vincere tem cena pós-créditos?
Não. A projeção termina com a imagem final de Ida e não há cena adicional após os créditos. Os créditos finais apresentam imagens de arquivo reais, que funcionam como epílogo histórico.
Pra quem é este filme:
- Historiadores e pesquisadores do fascismo europeu interessados em biografias revisionistas de Mussolini e nas figuras apagadas pelo regime.
- Cinéfilos de festival familiarizados com cinema de autor italiano, especialmente a filmografia de Marco Bellocchio e a tradição do cinema político europeu.
- Leitores de história política e ensaístas fascinados por como o poder constrói narrativas oficiais e elimina dissidências, mesmo dentro do círculo íntimo.
Título original: VINCERE
País de origem: ITÁLIA
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Marco Bellocchio
Principais atores: