Enredo, contexto e o que esperar
O segundo longa de Marco Bellocchio se passa numa cidade italiana de província, onde um professor universitário com ambições políticas se une a um contador para viabilizar sua campanha.
O contador está envolvido com a irmã do professor, e a noiva dele, a secretária, acaba entrando no jogo como amante por puro desafio.
O retrato mistura escândalo, sexualidade e poder com ironia fria. Mais do que um folhetim, o filme usa o drama para dissecar a hipocrisia da classe média italiana nos anos de chumbo.
Estreia, carreira do diretor e legado
Lançado em 1968, “A China Está Próxima” coincidiu com o Maio francês, o outono quente italiano e a invasão da Praga, formando um tripé de ebulição política europeia.
A película ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza de 1967, dividindo o reconhecimento com Pasolini, o que ajudou a consolidar Bellocchio como voz incômoda do cinema italiano.
Hoje, o título é estudado por quem quer entender a transição entre o cinema político italiano dos anos 60 e a radicalização da geração seguinte, ao lado de clássicos disponíveis em mostras retrospectivas.
Vale o ingresso?
Acertou em cheio: o roteiro expõe a podridão do jogo político italiano com diálogos ágeis e uma ironia cortante, e a direção de Bellocchio segura o tom ácido sem moralizar.
Fraco aqui: o ritmo é propositalmente lento e a frieza dos personagens pode frustrar quem busca identificação emocional imediata.
Acertou em cheio: as atuações de Glauco Mauri e Elda Tattoli transmitem a crueldade burguesa com precisão cirúrgica.
Curiosidades dos bastidores
- O roteiro dividiu o prêmio principal no Festival de Veneza de 1967 com “Oedipus Rex” de Pier Paolo Pasolini.
- Bellocchio tinha apenas 28 anos quando dirigiu o filme, logo após seu polêmico debut “Os Punhais nas Bolsas” (1965).
- Algumas cenas foram rodadas em Pavia, cidade natal do diretor, dando autenticidade ao cenário provinciano italiano.
Perguntas frequentes
Que filme é esse na história do cinema italiano?
“A China Está Próxima” é um dos marcos do cinema político italiano dos anos 60, premiadíssimo em Veneza e essencial para entender a filmografia inicial de Bellocchio.
O filme tem cena pós-créditos?
Não há cena pós-créditos, pois segue a tradição do cinema de arte dos anos 60, encerrando com sua sequência dramática final.
Vale a pena para quem não conhece o diretor?
Vale sim, pois funciona como porta de entrada para o estilo provocador de Bellocchio antes de encarar obras mais densas como “Bom Dia, Noite” (2017) ou “Vencer” (2017).
Pra quem é este filme:
- Interessado em ficção política europeia dos anos 60, especialmente títulos do Festival de Veneza da época.
- Estudante ou pesquisador de cinema italiano que busca obras além de Fellini e Pasolini.
- Curador de cineclube que programa retrospectivas sobre os anos de chumbo na Itália.
Título original: LA CINA È VICINA
País de origem: ITÁLIA
Data do lançamento: 31/12/1968
Diretor: Marco Bellocchio
Principais atores: