Um Homem, Uma Mulher
Sobre o que é Um Homem, Uma Mulher
Um piloto de corridas e uma figurinista se cruzam num domingo no colégio onde os filhos estudam. A conversa é curta, mas o encontro fica.
Os fins de semana seguintes viram uma rotina discreta: telefonemas, viagens de carro, jantares tímidos. Aos poucos, Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée constroem uma amizade cheia de silêncios, até revelar que os dois são viúvos recentes.
O filme dirigido por Claude Lelouch transforma esse reencontro com a vida num estudo sobre luto, desejo e a coragem de recomeçar. Mais do que um romance clássico, é um drama íntimo sobre duas solidões que se reconhecem.
Linha do tempo e legado
Lançado na França em 1966, o filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes no mesmo ano, compartilhada com "A Flor do Mal" e vencendo títulos como A Doce Vida.
No Oscar 1967, a produção levou duas estatuetas importantes: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original, escrito pelo próprio Lelouch em parceria com Pierre Uytterhoeven.
Quase sessenta anos depois, o longa segue em catálogos de cinema clássico, lembrado pela direção de fotografia em tons de vermelho e cinza, pela montagem que mistura cor e preto-e-branco e pelo refrão "Chabadabada" de Francis Lai, que virou marca registrada da Nouvelle Vague vizinha.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre Trintignant e Aimée, a fotografia que pinta o luto com cores vivas e a montagem que costura passado e presente num ritmo quase musical.
Ponto fraco: o terceiro ato perde fôlego narrativo e alguns espectadores podem achar o andamento contemplativo demais para uma história tão simples.
É um filme pequeno em ambição e enorme em empatia, do tipo que cabe numa tarde de chuva.
Curiosidades
- O filme tem parte do elenco original reaproveitada em O Encontro (1969), continuação não-oficial dirigida pelo mesmo Lelouch e com Anouk Aimée retornando como Anne.
- Foi a maior bilheteria francesa de 1966 e um dos raros casos de filme europeu de arte a furar a bolha comercial no mundo todo.
- A montagem alterna cenas coloridas e preto-e-branco, e a voz em off do próprio Trintignant sobre o duelo foi gravada em poucas horas, por sugestão de última hora do diretor.
Perguntas frequentes
Um Homem, Uma Mulher ganhou Oscar?
Sim. O filme venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original em 1967, e também levou a Palma de Ouro em Cannes no ano anterior.
Qual é a duração do filme?
São 100 minutos, em ritmo contemplativo, com fotografia em cores marcantes e cenas de corrida bem coreografadas pelo próprio Lelouch.
Tem cena pós-créditos?
Não. A narrativa se encerra antes dos créditos finais, com um dos finais mais comentados do cinema francês dos anos 1960.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Oito e Meio, Amor de Haneke e Retratos da Vida, que curtem dramas sentimentais adultos sem final açucarado.
- Quem estuda ou ama a Nouvelle Vague e quer conhecer o cinema francês dos anos 1960 por um viés mais popular e colorido, próximo de A Fraternidade é Vermelha.
- Admiradores de Jean-Louis Trintignant que querem ver o ator antes de papéis mais sombrios, em contraponto a O Encontro de Lelouch.
Título original: Un Homme et Une Femme
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/1965
Diretor: Claude Lelouch
Principais atores: