Veja o trailer do filme A Doce Vida
A Doce Vida
O clássico de Fellini que redefiniu a vida noturna no cinema
A Doce Vida (La Dolce Vita) acompanha Marcello Rubini (Marcello Mastroianni), um jornalista romano que trocou a literatura séria pelas fofocas de tablóide.
Ele vive entre noitadas, aristocratas entediadas e estrelas de cinema, sem conseguir escrever nada além de matéria barata.
Na busca por um furo, Marcello cruza com Sylvia Rank (Anita Ekberg), uma atriz sueca que chega a Roma como um furacão de beleza.
O que começa como trabalho vira obsessão: juntos, eles percorrem a cidade em uma madrugada etílica que termina na Fonte de Trevi.
Enquanto isso, Marcello coleciona affairs fracassados, testemunha milagres fabricados e afunda devagar num vazio existencial que o filme transforma em diagnóstico de uma época inteira.
Estreia, legado e o lugar de A Doce Vida na história do cinema
Lançado na Itália em janeiro de 1960 e no Brasil em 1961, A Doce Vida dividiu a crítica e incendiou o público na estreia.
A Igreja Católica condenou o filme, que mesmo assim faturou: virou o maior êxito de bilheteria do cinema italiano até aquele momento.
Conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Oscar de Melhor Figurino (Piero Gherardi), além de indicações a Direção e Roteiro Original.
Mais de seis décadas depois, a expressão la dolce vita virou sinônimo de luxo vazio, e a cena da Fontana di Trevi continua sendo uma das imagens mais reproduzidas da história do cinema.
Para o drama europeu e para a filmografia de Federico Fellini, o título é o ponto em que o diretor deixa de ser um autor promissor e se torna uma voz definitiva, preparando o terreno para obras como Oito e Meio.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a construção de Roma como personagem. Fellini transforma a cidade num parque de diversões decadente, e cada cena parece um quadro vivo — a Fonte de Trevi, o gato nas ruas, a cobertura do “milagre” são momentos que ficam na retina.
Ponto alto: o elenco, ancorado por Marcello Mastroianni, entrega um anti-herói cínico sem nunca cair na caricatura. A presença de Anita Ekberg como símbolo de desejo impossível é a cereja visual do filme.
Ponto fraco: com 168 minutos e narrativa em episódios, o ritmo pede paciência. Quem busca enredo linear ou reviravoltas vai achar o andamento lento demais.
Ponto fraco: a crítica moral pode soar datada para espectadores acostumados com narrativas mais diretas — o filme trabalha com sugestão, não com mensagem.
Curiosidades de bastidor
- O roteiro nasceu de uma observação real de Fellini sobre paparazzi que perseguiam a atriz sueca Anita Ekberg em Roma, no final dos anos 1950.
- A cena da Fonte de Trevi foi filmada de madrugada, com Anita Ekberg usando um vestido preso com alfinetes que arrebentou parcialmente no meio das gravações.
- O título original La Dolce Vita foi usado em 2021 para batizar uma variedade de macarrão criada na Itália em homenagem aos 60 anos do filme.
Perguntas frequentes sobre A Doce Vida
A Doce Vita é baseado em fatos reais?
Não. O roteiro é original de Federico Fellini com Tullio Pinelli e Ennio Flaiano, inspirado nas noites romanas que o próprio Fellini frequentava como jornalista nos anos 1950.
Qual a duração de A Doce Vita e vale a pena ver a versão completa?
O filme tem 168 minutos (quase 3 horas) e existe apenas em versão integral restaurada. Sim, vale a pena: os cortes prejudicam o ritmo contemplativo que é a marca do longa.
A Doce Vita tem cena pós-créditos?
Não. O final é seco, sem cena extra após os créditos, o que reforça o tom de “ciclo que se repete” buscado por Fellini.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor europeu dos anos 1960, especialmente da filmografia de Fellini e do neorrealismo tardio.
- Leitores de ensaios sobre cultura pop e crítica cultural que reconhecem o termo “dolce vita” como referência obrigatória.
- Apreciadores de fotografia em preto e branco, direção de arte exuberante e storytelling fragmentado à la 8 1/2 e Noites de Cabíria.
Título original: La Dolce Vita
País de origem: Itália
Data do lançamento: 31/12/1959
Distribuidora: Zeta Filmes
Diretor: Federico Fellini
Principais atores: