Veja o trailer do filme A Fraternidade é Vermelha
O filme em essência
Valentine é uma modelo e estudante de Direito em Genebra que, depois de atropelar um cachorro, descobre que o dono do animal tem um passatempo nada recomendável: o juiz Joseph Kern ouve clandestinamente as conversas telefônicas dos vizinhos. A partir desse encontro incômodo, Krzysztof Kieslowski constrói um drama silencioso sobre o que escuta, o que cala e o que fica entre as pessoas.
O roteiro trabalha com a ideia de que destinos paralelos se tocam sem que ninguém perceba. Valentine e o juiz mal se conhecem, mas uma série de coincidências vai costurando uma relação que mistura suspeita, curiosidade e uma ternura estranha. É romance sem beijo, amizade sem promessa, e ainda assim marca fundo.
Linha do tempo e legado
A Fraternidade é Vermelha estreou em 1994 e encerrou a trilogia Três Cores de Kieslowski, iniciada com Azul e Branco. Os três filmes são inspirados nos ideais da bandeira francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
O longa foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor e levou três prêmios no Festival de Cannes, incluindo o de Melhor Música para Zbigniew Preisner. Está no topo de listas de melhores filmes dos anos 90 ao lado de Um Homem, Uma Mulher e dos capítulos do DECÁLOGO, outra obra-prima do mesmo diretor.
Trinta anos depois, continua sendo referência obrigatória em cursos de cinema e um dos títulos mais revisitados da filmografia europeia, frequentemente reexibido em mostras e retrospectivas sobre o cinema de Kieslowski.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Jean-Louis Trintignant entrega uma atuação contida e devastadora como o juiz. Irène Jacob segura o lado mais solar do filme com uma leveza rara. A fotografia de Sławomir Idziak e a trilha de Preisner formam uma das duplas técnicas mais bonitas dos anos 90.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem busca plot twists, conflitos gritados ou grandes reviravoltas vai sair frustrado. O filme pede tempo, silêncio e disposição para prestar atenção nos detalhes.
Bastidores e detalhes
- O cachorro que Valentine atropela foi encontrado de verdade numa rua de Genebra. Kieslowski decidiu incluí-lo no filme depois de resolver adotá-lo.
- Juliette Binoche e Julie Delpy aparecem brevemente como personagens ligadas aos filmes anteriores da trilogia, costurando o universo de Três Cores.
- A última cena de Kieslowski no cinema antes de se aposentar usa um tom de vermelho tão preciso que a equipe de fotografia precisou testar mais de 30 filtros de lente para chegar ao resultado final.
Perguntas frequentes
A Fraternidade é Vermelha é o último filme da trilogia Três Cores? Sim. É o terceiro longa, dedicado à fraternidade, e fecha o ciclo iniciado por Azul (liberdade) e Branco (igualdade).
Preciso ter visto Azul e Branco antes? Não é obrigatório, mas ajuda. Existem conexões visuais e temáticas entre os três, incluindo participações especiais de Binoche e Delpy neste.
O filme tem cena pós-créditos? Não. A história termina com a tela escurecendo, sem qualquer adição depois dos créditos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor europeu, especialmente Bergman, Tarkovski e o próprio Kieslowski.
- Quem curte dramas que apostam em simbolismo, cor e acaso como estrutura narrativa.
- Leitores de Philip Roth, Coetzee ou qualquer ficção literária que prefira sugestão em vez de explicação.
Título original: Trois Couleurs: Rouge
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/1994
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Principais atores: