Veja o trailer do filme SOY NERO
O que é Soy Nero
Nero tem 19 anos e foi deportado dos Estados Unidos. Ao cruzar a fronteira de volta, ele carrega mais fome do que esperança.
Como muitos jovens sem documentação, ele descobre no Exército americano um atalho: servir para conseguir o green card e, com ele, uma vida legal no país.
O longa acompanha essa travessia dupla, entre o deserto do Arizona e as trincheiras do Iraque, onde a linha entre imigrante uniformizado e soldado desaparece.
Dirigido por Rafi Pitts, o filme usa o corpo de Nero como metáfora viva da fronteira que ele cruza sem nunca pertencer de fato.
Mais do que um drama de guerra, é um estudo de identidade construído em ficção com cara de documentário.
Estreia e legado
Soy Nero chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, em circuito bastante limitado, reflexo do tema árido e do ritmo contemplativo que afastam o grande público.
A produção é trinacional, assinada por Alemanha, França e México, o que reforça o próprio tema do filme: personagens que não cabem em uma só bandeira.
Críticos europeus destacaram a coragem de discutir a política migratória americana pelo prisma militar, tema que ganhou ainda mais força com os anos de polarização nos EUA.
Hoje, o longa é lembrado como uma obra de nicho, recomendada em listas de cinema político contemporâneo, mas sem o cult status de clássicos do gênero.
Funciona quase como um companheiro silencioso de Argo e de O Mordomo da Casa Branca, só que pelo lado de quem não tem porta para entrar.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a discussão sobre identidade, pertencimento e a hipocrisia de um país que arma imigrantes sem dar-lhes voz é potente e atemporal.
As cenas no deserto, com a câmera colada no rosto de Nero, criam uma intimidade rara.
Ponto fraco: o ritmo é irregular e a narrativa se arrasta em trechos que pediam mais tensão dramática.
Personagens secundários mal têm rosto, o que dilui o impacto coletivo da história.
Não é um filme fácil, e talvez por isso mesmo divida o público entre os que acham brilhante e os que acham apenas frio.
Curiosidades
- O roteiro foi escrito em inglês, espanhol e francês, refletindo a própria identidade fragmentada do protagonista e a origem trinacional da produção.
- As filmagens no deserto do Arizona usaram recrutas reais do Exército americano como figurantes, o que deu autenticidade desconfortável às cenas.
- O título faz trocadilho com o imperador romano Nero, sugerindo que o protagonista também toca fogo em algo enquanto o mundo assiste.
Perguntas frequentes
Soy Nero é baseado em fatos reais?
Não é uma biografia, mas o filme se inspira em relatos reais de imigrantes que se alistaram no Exército americano em troca do green card, prática conhecida como MAVNI, extinta em 2016.
Qual é a classificação etária do filme?
O longa é recomendado para maiores de 16 anos, devido a cenas de guerra e violência explícita que não são gratuitas, mas sim narrativas.
Soy Nero está disponível em streaming no Brasil?
A disponibilidade muda conforme a plataforma, então vale conferir a lista de cinemas e serviços atualizada logo abaixo para encontrar a melhor forma de assistir agora.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema político e dramas de imigração no estilo de A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos
- Quem curte narrativas contemplativas sobre identidade e fronteiras, à moda de O Espelho de Tarkovski
- Interessados em discutir a militarização de imigrantes nos EUA, tema central também em Inimigos Públicos
Título original: SOY NERO
País de origem: ALEMANHA, FRANÇA, MÉXICO
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Rafi Pitts
Principais atores: