Veja o trailer do filme Saudade
Saudade
O documentário sobre a palavra que só os brasileiros e portugueses sabem sentir
O diretor Paulo Caldas parte de uma premissa simples e ingrata: como transformar em filme uma palavra que, em tese, não tem tradução exata em outros idiomas?
Em Saudade (2018), a resposta vem em forma de viagem. O documentário cruza o Atlântico e atravessa fronteiras da lusofonia para recolher o que cada exilado, imigrante e artista sente quando tenta explicar esse sentimento.
A obra não se limita a entrevistas expositivas. Caldas aposta numa abordagem sensorial, costurando depoimentos de criadores como Ruy Guerra, Milton Hatoum e Arnaldo Antunes a imagens de arquivo e registros de comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo.
É um documentário feito de fragmentos, mais próximo de uma instalação audiovisual do que de uma reportagem tradicional.
Quando estreou e por que ainda ressoa
Saudade chegou aos cinemas brasileiros em 18 de janeiro de 2018, com distribuição da Lira Filmes. É uma coprodução entre Brasil, Portugal e Angola, o que já adianta a proposta de地图 transatlântico do filme.
A estreia foi discreta nas bilheterias, como costuma acontecer com documentários autorais brasileiros fora do circuito de festivais. O longa, porém, circulou por mostras universitárias e cineclubes, onde encontrou seu público natural.
Hoje, quase uma década depois, continua relevante em qualquer debate sobre identidade lusófona, diáspora e o papel da língua como veículo de memória afetiva.
Para quem gosta de documentários reflexivos, o filme se conecta ao universo de títulos como Chico - Artista brasileiro e Um Filme de Cinema, também focados em discutir cultura brasileira por meio das vozes de seus criadores.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o time de depoentes é o grande trunfo. Ouvir Ruy Guerra, Milton Hatoum, Arrigo Barnabé e Adriana Falcão discorrerem sobre saudade é como folhear um caderno de rascunhos de grandes autores.
A montagem respeita o silêncio e o ritmo contemplativo, criando uma experiência quase meditativa.
Ponto fraco: a abordagem sensorial pode soar hermética para quem espera um documentário didático ou narrativa mais linear.
Em 77 minutos, o filme se permite ser abstrato, o que divide o público entre os que se entregam ao clima e os que saem procurando respostas concretas.
Curiosidades de bastidores
- O longa é uma coprodução entre Brasil, Portugal e Angola, reforçando o recorte transatlântico desde o financiamento.
- O elenco reúne diretores, escritores, músicos e dramaturgos, em vez de atores profissionais, o que dá ao filme um tom de mesa redonda intelectual.
- A classificação indicativa foi definida pelo sistema Cultura Digital, à época ainda em processo de implementação no país.
Perguntas frequentes
Saudade é documentário ou ficção?
É um documentário. O filme mistura depoimentos reais, imagens de arquivo e registros de viagem, sem roteiro ficcional.
Qual é a duração de Saudade?
São 77 minutos, pouco menos de uma hora e meia, o que ajuda o filme a manter o tom contemplativo sem pesar.
Saudade tem cena pós-créditos?
Não. O encerramento é seco, coerente com o estilo do documentário, que prefere deixar o espectador em silêncio.
Pra quem é este filme:
- Fãs de documentários autorais brasileiros que circulam por cineclubes e mostras universitárias.
- Leitores de Milton Hatoum, Adriana Falcão e outros nomes da literatura lusófona que querem ver esses autores fora das páginas.
- Curiosos sobre cultura luso-brasileira, diáspora e identidade, especialmente quem viveu ou convive com a experiência de morar fora do país.
Título original: Saudade
País de origem: Brasil, Portugal, Angola
Data do lançamento: 18/01/2018
Distribuidora: Lira Filmes
Diretor: Paulo Caldas
Principais atores: