Veja o trailer do filme Rocky 5
Do ringue para a quebrada: Rocky perdeu tudo (menos o orgulho)
Em Rocky 5, o lutador ítalo-americano de Filadélfia que atravessou a Guerra Fria no ringue acorda com o corpo quebrado e a conta bancária zerada.
Depois da surra histórica de Ivan Drago em Moscou, Rocky Balboa voltou com uma lesão neurológica irreversível. Sem autorização médica para lutar, ele se vê forçado a se aposentar do boxe.
Aí vem o segundo golpe: o contador esvaziou a conta do campeão. Sem dinheiro, sem carreira, o herói volta para a casa da tio, para o bairro de sempre e para uma nova função: mentor de um talento cru de rua chamado Tommy Gunn.
De fracasso de crítica a peça do mosaico Stallone
Lançado em 16 de novembro de 1990 nos EUA e no início de 1991 no Brasil, Rocky V foi uma aposta da United Artists para retomar o espírito original do primeiro Rocky, de 1976, depois do tom épico de Rocky IV.
John G. Avildsen, o mesmo diretor do primeiro longa da franquia, voltou ao comando. A ideia era fechar o arco do personagem nas ruas da Filadélfia, longe da grandiosidade soviética do filme anterior.
A crítica recebeu o longa com frieza: foi o capítulo mais mal avaliado da saga original. Mesmo assim, rendeu cerca de US$ 125 milhões em bilheteria global, sustentado pela base de fãs.
Anos depois, o longa ganhou outra leitura com a chegada de Creed - Nascido para Lutar, que reposicionou Rocky como mentor em vez de lutador, papel que já tinha sido experimentado aqui.
Vale o ingresso? Um retorno amargo com lampejos honestos
Ponto alto: o reencontro de Rocky com as ruas, com o velho Mickey (Burgess Meredith) e a tentativa sincera de discutir paternidade, vício em videogame e responsabilidade. Stallone escreve o roteiro com uma autocrítica rara em blockbusters dos anos 90.
Ponto alto: a sequência de abertura, dirigida como quase um documentário, com Rocky voltando a pé pela Filadélfia e reencontrando personagens do primeiro filme.
Ponto fraco: a luta final contra Tommy Gunn é confusa, mal filmada e com edição que mais confunde do que emociona.
Ponto fraco: a subtrama do filho de Rocky mexendo com um gângster local é desnecessária e puxa o tom para um didatismo infantil que destoa do resto.
Três fatos rápidos de bastidor
- Stallone e o diretor John G. Avildsen brigaram publicamente durante a produção, o que resultou em Avildsen não dirigir mais nenhum filme da franquia.
- Tommy Morrison foi escalado por ser amigo pessoal de Sylvester Stallone e por ter estilo de boxe similar ao de Tommy Gunn, o oposto caricato de Rocky.
- A participação rápida de Dolph Lundgren como Drago é mínima: há apenas uma menção ao personagem e uma foto, já que Stallone não queria pagar o cachê pedido pelo ator sueco.
Perguntas frequentes sobre Rocky 5
Rocky 5 é o último filme da saga original? Sim, da saga original. Depois dele vieram os spin-offs Creed I, II e III, com Michael B. Jordan no centro, mas sem continuidade direta de Rocky V.
Por que Rocky 5 é considerado o pior da franquia? A crítica apontou roteiro açucarado, subtrama do filho desnecessária e a luta final mal coreografada. Para muitos, ele tenta voltar ao formato do primeiro filme sem conseguir replicar o impacto original.
Rocky 5 tem cena pós-créditos? Não. O longa termina com a luta de rua entre Rocky e Tommy Gunn, sem cenas extras durante ou depois dos créditos finais.
Pra quem é este filme:
- Fãs de completismo da saga Rocky que precisam assistir a todos os capítulos para acompanhar Creed - Nascido para Lutar e Creed III sem perder referência.
- Entusiastas de drama esportivo dos anos 80 e 90 que curtem tramas de superação, mentor e aluno e conflitos de paternidade.
- Curiosos de cinema pop que gostam de analisar como uma franquia de sucesso pode oscilar entre o brilhante e o medíocre entre capítulos.