Sobre o que é Rastros de Ódio
Em 1868, o veterano da Guerra Civil Ethan Edwards (John Wayne) retorna ao Texas depois de anos longe de casa. Ele encontra o irmão e a família instalados em um rancho isolado no deserto.
No dia seguinte, um grupo de comanches ataca a propriedade, mata os pais e rapta as duas filhas do casal. Ethan parte em uma busca que vai consumir anos da vida dele.
O que começa como resgate vira algo mais sombrio: Ethan está obcecado, e o companheiro de viagem, Martin (Jeffrey Hunter), percebe cedo que a missão do veterano não é só trazer a menina de volta.
Rastros de Ódio é um faroeste que usa a aventura no deserto como pretexto para dissecar raiva, luto e ódio racial.
Estreia e legado
Lançado em 1956 nos Estados Unidos e distribuído pela Warner Bros, o filme dividiu público e crítica na época por causa do tratamento cru do protagonista. Com o tempo, virou obra de referência obrigatória.
John Ford não ganhou Oscar de direção por aqui, mas o longa é listado em praticamente toda compilação dos melhores filmes já feitos. Em 1989, entrou para o National Film Registry dos Estados Unidos por seu valor cultural.
A cena final, com Ethan largado do lado de fora da casa enquanto a porta se fecha nas costas dele, é uma das imagens mais reproduzidas da história do cinema. Martin Scorsese, George Lucas e muitos outros diretores citam o filme como influência direta.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a fotografia de Winton Hoch no Monumento Valley. Cada frame parece pintado à mão, e o uso das paisagens do Arizona dá ao filme uma dimensão quase mitológica.
Ponto alto: John Wayne entrega provavelmente o melhor trabalho da carreira dele como Ethan, um protagonista que o público não deveria torcer, mas não consegue abandonar.
Ponto fraco: o ritmo é lento. Quem busca tiroteios constantes ou ação no estilo Bravura Indômita pode achar a primeira hora arrastada.
Ponto fraco: a representação dos nativos é datada e problemática. O filme não tenta esconder o racismo do protagonista, e isso incomode parte do público contemporâneo — embora essa seja parte da leitura crítica que Ford propõe.
Curiosidades dos bastidores
- O roteiro foi baseado no romance homônimo de Alan Le May, publicado em 1954, e levou quase uma década para sair do papel por causa de objeções do estúdio.
- A cena da porta aberta no final foi improvisada por Ford no set. Wayne não sabia que ia ficar do lado de fora, e a expressão de confusão dele é genuína.
- Natalie Wood e a irmã Lana Wood contracenaram juntas: Lana interpretou a versão mais nova de Debbie nas cenas do sequestro.
Perguntas frequentes
Rastros de Ódio é baseado em fatos reais?
Não. O filme é uma adaptação do romance de Alan Le May, embora se inspire nos relatos de sequestros por comanches registrados no Texas do século XIX.
Qual a classificação etária no Brasil?
14 anos, por causa de violência, temas raciais e algumas cenas de tensão com crianças.
Rastros de Ódio tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com o plano clássico da porta se fechando, e os créditos começam imediatamente em seguida.
Pra quem é este filme:
- Fãs de faroeste clássico que já viram No Tempo das Diligências e querem entender a evolução do gênero
- Estudantes e curiosos pela filmografia de John Ford, um dos diretores mais importantes do cinema americano
- Público interessado em estudos de personagem e heróis moralmente falhos, no estilo de Juventude Transviada
Título original: The Searchers
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 31/12/1955
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: John Ford
Principais atores: