O segundo tiroteio da Trilogia dos Dólares
Manco, o caçador de recompensas de poncho sujo, volta a perambular pelo Oeste em Por uns Dólares a Mais. Desta vez, o alvo se chama Indio, um bandido cruel que lidera um bando de marginais nos arredores da fronteira mexicana.
Manco descobre que não é o único no encalço do fora da lei. O coronel Douglas Mortimer, tão frio quanto competente, também quer a recompensa. O que começa como uma caçada paralela vira um jogo de orgulho, troca de informação e tensão silenciosa entre dois pistoleiros que se medem a cada esquina.
Dirigido por Sergio Leone, o longa é a segunda entrada da chamada Trilogia dos Dólares e refina tudo o que o anterior já tinha sugerido. O faroeste aqui é mais escuro, mais sujo e muito mais cruel do que a tradição americana jamais permitiu.
Linha do tempo e legado
Lançado nos cinemas italianos em 1965, o filme chegou ao Brasil ainda no mesmo ano e consolidou Clint Eastwood como astro internacional. A Eurodollar Production, de Leone, apostou num western diferente do modelo de Hollywood e acertou em cheio.
Hoje, o longa é lembrado como o ponto de virada do faroeste spaghetti. Sua estética — closes extremos, cortes secos, trilha obsessiva de Ennio Morricone — virou manual de estilo. Quentin Tarantino, Robert Rodriguez e até Walter Hill já declararam influência direta.
É daqueles filmes que não envelhecem porque definiram o próprio relógio do gênero. Quem nunca viu, estranha a lentidão. Quem revê, percebe como tudo que veio depois já estava ali, em close no olho do pistoleiro.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o duelo final no círcuito, com o relógio que marca o tempo dos atiradores. É tensão pura, milimetricamente construída por Leone, com a câmera colada no rosto dos adversários. A trilha de Morricone sobe em espiral até o disparo inevitável.
Ponto alto (bis): Lee Van Cleef rouba a cena em praticamente todas as sequências em que aparece. Mortimer é mais elegante, mais calculista, e impõe ao Manco de Eastwood um rival à altura.
Ponto fraco: o ritmo no primeiro ato pede paciência. Quem está acostumado com faroestes de tiroteio rápido pode estranhar os silêncios longos e os planos abertos do deserto.
Ponto fraco (bis): o roteiro é funcional, não brilhante. O motor dramático é a caçada, e a construção dos personagens depende mais da postura do que de falas memoráveis. Funciona, mas não espere profundidade emocional à la Era uma Vez no Oeste.
Bastidores que pouca gente sabe
- Ennio Morricone escreveu a trilha antes mesmo de o filme ser rodado, algo raro na época. A melodia da gaita já nasceu casando com a câmera lenta de Leone.
- O relógio usado por Mortimer no duelo final era propriedade pessoal de Lee Van Cleef. O ator só topou usar outro se Leone garantisse que o original teria destaque no quadro.
- Lee Van Cleef era considerado "tipo demais para papéis menores" em Hollywood. O western spaghetti devolveu protagonismo a um dos grandes carões do cinema americano, abrindo uma nova fase para o ator.
Perguntas frequentes
Por uns Dólares a Mais faz parte de qual trilogia?
Faz parte da chamada Trilogia dos Dólares, dirigida por Sergio Leone. A sequência é: Por uns Dólares a Mais, Três Homens em Conflito e O Bom, o Mau e o Feio.
Qual a diferença entre este filme e o primeiro da série?
Por uns Dólares a Mais tem mais orçamento, mais tempo de tela para o vilão e a estreia marcante de Lee Van Cleef como antagonista. O roteiro também é mais ambicioso, com direito a triângulo de caçadores.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina com o duelo no círcuito e o corte seco para a tela escura, marca registrada de Leone. Nada de cena extra, nada de gag escondida.
Pra quem é este filme:
- Fãs de faroeste spaghetti que querem entender a origem do estilo antes de chegar em Três Homens em Conflito
- Amantes de cinema de duelo, tensão e silêncios ensaiados como coreografia de pistolão
- Admiradores de trilhas sonoras icônicas que escutam Ennio Morricone em loop antes mesmo de apertar play
Título original: Per qualche dollaro in più
País de origem: Itália
Data do lançamento: 02/03/1965
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Sergio Leone
Principais atores: