De onde vem O Quinto Império
O filme parte de uma das figuras mais fascinantes da história portuguesa: Dom Sebastião, o jovem rei que governou Portugal no século XVI e morreu na Batalha de Alcácer-Quibir em 1578.
A obsessão dele era expandir o império e difundir a cristandade pelo mundo. Essa ambição custou caro: a derrota em Marrocos abriu caminho para a união da coroa com a Espanha e alimentou um dos maiores mitos lusitanos.
Esse mito é o sebastianismo: a crença de que o rei sumiria na névoa e voltaria numa manhã de nevoeiro para salvar Portugal. Manoel de Oliveira usa essa lenda como espelho para repensar a identidade portuguesa.
Linha do tempo e legado
"O Quinto Império - Ontem Como Hoje" estreou em 2004, no mesmo ano em que Portugal sediou a Eurocopa. O longa foi pensado como uma intervenção cultural: o futebol era o novo "império" efêmero e a reflexão sobre o sebastianismo ganhava novo fôlego.
É um drama histórico do cinema de autor, exibido em mostras internacionais e festivais. Hoje, o filme é lembrado como uma das obras mais intelectuais de Oliveira, referência para quem estuda histórico feito cinema em Portugal.
Em 2007, o diretor recebeu o Leão de Ouro pelo conjunto da obra em Veneza. Essa película dialoga diretamente com outros longas dele, como O Estranho Caso de Angélica e Visita ou Memórias e Confissões.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a maneira como Manoel de Oliveira funde passado e presente é brilhante. Dom Sebastião aparece lado a lado com figuras contemporâneas, questionando se o sebastianismo continua vivo em pleno século XXI.
A construção de Ricardo Trêpa como rei é contida e certeira, evitando a caricatura histórica. Os textos têm peso de ensaio filosófico, sem virar palestra.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade, nada concessivo. Quem espera drama histórico tradicional, com batalhas épicas, vai sair frustrado.
Algumas cenas emulam peças teatrais filmadas, o que exige paciência do espectador. Não é um filme para distrair, é um filme para pensar.
Curiosidades
- O roteiro mistura textos originais de Padre Antônio Vieira, Camões e o próprio Manoel de Oliveira, costurando história, profecia e sátira política.
- Ricardo Trêpa é neto do diretor, repetindo a colaboração vista em "A Caixa" e "Cristóvão Colombo - O Enigma".
- As filmagens aconteceram em cenários naturais de Portugal, com luz natural e poucos recursos técnicos, fiel ao estilo econômico do diretor.
Perguntas frequentes
O que é o Quinto Império no filme?
É a ideia de um império cristão universal, defendida por Dom Sebastião e pelo Padre Antônio Vieira. No longa, Manoel de Oliveira usa o conceito para questionar o expansionismo e o messianismo político português.
Qual a relação do filme com o sebastianismo?
O sebastianismo é o mito que diz que Dom Sebastião voltaria numa manhã de nevoeiro. O longa parte desse mito para discutir o presente, mostrando como o povo nunca deixou de esperar pelo rei.
O filme tem cenas de batalha?
Não. Oliveira preferiu uma abordagem reflexiva, com a guerra aparecendo como sombra e ideia, não como sequência de ação. A expectativa de épico visual é um dos pontos que pode frustrar parte do público.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor europeu e da filmografia de Manoel de Oliveira.
- Interessados em história de Portugal, sebastianismo e mito político.
- Estudantes e professores de cinema, filosofia e literatura que buscam reflexão sobre identidade nacional.
Título original: Le Cinquième empire
País de origem: França
Diretor: Manoel de Oliveira
Principais atores: