Carlos Gomes

Antônio Carlos Gomes (pronúncia em português brasileiro: [ɐ̃ˈtoni.u ˈkaʁluz ˈɡomis], comumente conhecido como Carlos Gomes; 11 de julho de 1836 – 16 de setembro de 1896) foi um compositor brasileiro, lembrado sobretudo por suas óperas. Figura central do romantismo musical brasileiro, foi o primeiro compositor brasileiro a alcançar grande sucesso no mundo operístico europeu e o primeiro a ter uma obra apresentada no La Scala, em Milão. Sua ópera mais conhecida, Il Guarany ou O Guarani, estreou no La Scala em 1870 e levou um tema literário brasileiro ao repertório operístico italiano.

Nascido em Campinas, na Província de São Paulo, no Império do Brasil, Gomes recebeu sua primeira formação musical de seu pai, Manuel José Gomes, e iniciou sua carreira na vida musical de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Suas primeiras óperas em língua portuguesa, A Noite do Castelo e Joana de Flandres, chamaram a atenção da corte imperial. Com o apoio de Pedro II, continuou os estudos na Itália, onde ingressou no meio teatral milanês por meio de obras populares de palco, antes de o sucesso de Il Guarany tornar seu nome conhecido internacionalmente.

As óperas de maturidade de Gomes foram escritas em sua maior parte para textos italianos e para instituições teatrais italianas, mas vários de seus temas mais importantes vieram da literatura, da história e da vida política do Brasil. Il Guarany se baseou no romance O Guarani, de José de Alencar, e no imaginário do indianismo, enquanto Lo schiavo, estreada no Rio de Janeiro em 1889, foi dedicada a Isabel, Princesa Imperial do Brasil, e surgiu no período posterior à abolição. Entre suas outras óperas importantes estão Fosca, Salvator Rosa, Maria Tudor e Condor. Além do palco, escreveu música sacra, canções, hinos, peças para piano, música de câmara, música orquestral e o poema vocal-sinfônico Colombo.

Em vida, Gomes foi celebrado no Brasil e na Itália, recebeu condecorações do Império do Brasil, do Reino da Itália e de Portugal, e foi elogiado por músicos como Giuseppe Verdi e Franz Liszt. Críticos e instituições posteriores trataram Gomes de maneiras diversas: como compositor nacional, como símbolo do romantismo imperial, como um problema para os modernistas brasileiros e, mais recentemente, como uma figura recolocada em evidência por meio de pesquisas, gravações, edições críticas e remontagens. No Brasil, permaneceu como um antecessor central do século XIX para debates posteriores sobre a música de concerto brasileira, incluindo o repertório nacionalista e modernista associado a compositores como Heitor Villa-Lobos. É o patrono da cadeira 15 da Academia Brasileira de Música, foi declarado patrono da música brasileira por lei federal em 1979 e teve seu nome inscrito no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves em 2017.