O que é O Nome do Jogo e por que ele ainda diverte
Chili Palmer (John Travolta) é um cobrador da máfia de Miami que trabalha para um chefe bigodudo e temperamental.
Quando o patrão morre de ataque cardíaco, Chili herda um pepino: precisa ir a Los Angeles resolver uma dívida com um produtor de cinema barato (Gene Hackman).
O que era para ser só uma cobrança vira outra coisa. Chili descobre que entende de ritmo, história e até de como escolher um astro para o filme.
A comédia policial nasce daí: um gângster com olho clínico entrando numa Hollywood paralela, negociando com picaretas, mafiosos russos e atores de cabelo tingido.
Dirigido por Barry Sonnenfeld, o filme é uma sátira ao show business sem ser rancorosa, e funciona como uma carta de amor irônica ao cinema B.
Estreia, legado e o tamanho da influência
Lançado em 1995 nos Estados Unidos, O Nome do Jogo chegou ao Brasil ainda naquele ano e virou queridinho de locadora.
Baseado no romance de Elmore Leonard, autor que já era cultuado pelos cinéfilos por causa de Jackie Brown, de Quentin Tarantino, o filme soube capturar a voz do escritor: diálogos curtos, violência fora de quadro e humor que vem do contraste entre criminals e pessoas comuns.
Não levou Oscar, mas emplacou a indicação de John Travolta ao Globo de Ouro em comédia musical e rendeu duas sequências: Fica de Boca Cheia (Be Cool, 2005) e a série derivada Get Shorty (2017-2019), esta última no canal Epix.
Hoje é lembrado como o melhor filme sobre a polícia da máfia ambientado em Hollywood, e cultuado por quem valoriza roteiros com timing de comédia perfeita.
Vale o ingresso? O que brilha e o que derrapa
Ponto alto: John Travolta está no auge do charme pós-Pulp Fiction. Ele domina a tela com aquele sorriso de quem sabe mais que todo mundo, e a parceria de farpas com Danny DeVito é impagável. O roteiro, adaptado por Scott Frank, transpira inteligência a cada cena.
Ponto fraco: O segundo ato perde fôlego. Depois do encontro genial entre Chili e o produtor Harry Zimm, o roteiro se perde um pouco em reviravoltas negociais com a máfia russa. Nada que comprometa, mas o pique inicial demora a voltar.
Comparado a Pulp Fiction - Tempo de Violência, é menos vertiginoso, mas mais redondo. E mostra um lado do John Travolta que muita gente esqueceu: o de comediante nato.
Curiosidades de bastidores
- Quentin Tarantino, fã declarado de Elmore Leonard, tentou por anos emplacar uma adaptação de Get Shorty nos anos 90. Quando o roteiro chegou ao mercado, o estúdio preferiu a versão de Scott Frank, que se tornou o filme de Sonnenfeld.
- James Gandolfini, pouco antes de virar Tony Soprano, faz aqui um mafioso russo que já antecipa o carisma pesado que definiria sua carreira. É uma ponte interessante entre o cinema de gângster dos anos 90 e a televisão que viria logo depois.
- O filme foi um dos primeiros projetos de Barry Sonnenfeld depois da Família Addams, e consolidou a parceria dele com Travolta, que renderia depois Fica de Boca Cheia e, indiretamente, abriu caminho para o tom de Homens de Preto.
- Bette Midler aparece como ela mesma, num cameo que é uma cutucada pública na própria carreira cinematográfica da cantora, então vivendo um hiato nas telas.
Perguntas frequentes sobre O Nome do Jogo
O Nome do Jogo é baseado em livro?
Sim, é uma adaptação do romance Get Shorty, de Elmore Leonard, publicado em 1990. Leonard gostou tanto do roteiro que comentou publicamente que o filme era melhor que o próprio livro, embora depois tenha suavizado a declaração.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. O Nome do Jogo termina com uma última piada seca e os créditos sobem em seguida, sem extras ou teaser. Se você for se levantar do sofá, espere a musiquinha de Danny DeVito subir.
Quem é Barry Sonnenfeld?
É o diretor e também ator secundário neste filme. Sonnenfeld ficou famoso pelos dois primeiros Addams, pela trilogia inicial de Homens de Preto e por Os Pinguins do Papai. Começou a carreira como cinematógrafo dos Irmãos Coen, e se nota em O Nome do Jogo o enquadramento preciso, sempre pronto para a piada visual.
Pra quem é este filme:
- Fãs de comédias de gângster com roteiro afiado: quem curtiu Fargo, Maus Tempos no Brooklyn e Um Dia de Cão vai reconhecer o DNA. O humor é seco, nunca escrachado.
- Admiradores da Hollywood dos anos 90 vista de fora: o filme é um mini-guia sardônico de como estúdios menores funcionavam, com agentes, roteiristas nervosos e estrelas decadentes como Bette Midler se autoparodoiando.
- Leitores de Elmore Leonard e Tarantino de carteirinha: o filme respira a mesma literatura cinematográfica que originou Jackie Brown, Cães de Aluguel e, antes, Um Estranho no Ninho em outro contexto de cinema-que-fala-de-cinema.