Veja o trailer do filme O Ciúme
O Ciúme
O Ciúme: quando o medo de perder vira rotina
Louis larga Clotilde e parte para viver com Claudia, atriz que divide com ele os palcos de um teatro parisiense. Ele a ama, mas não consegue desligar a insegurança. Louis Garrel interpreta esse homem dividido entre a entrega e a dúvida, em um drama de câmara dirigido por Philippe Garrel.
O ponto de virada vem em uma noite: Claudia conhece um arquiteto e, sem perceber, cutuca a ferida de Louis. A resposta dele é se fechar, vigiar, se tornar pequeno. O roteiro ainda guarda uma revelação sobre uma filha que Louis abandonou no passado, peça que faltava para entender o homem por trás do ciumento.
Para quem gosta de triângulos amorosos sem grandes escândalos, de diálogos que pesam cada frase, e da escola francesa que prefere close a explanação, é um prato cheio. Confira também Os Sonhadores, também com Louis Garrel, para entender de onde vem esse cinema.
Do Festival de Veneza ao circuito de arte
O Ciúme estreou na competição do Festival de Veneza 2013, entre os títulos mais sóbrios da seleção daquele ano. Foi distribuído na França com a marca habitual da casa Garrel: produção discreta, elenco pequeno, estética de fotograma gasto.
No Brasil, o longa entrou em circuito em 20 de novembro de 2014, em janelas voltadas ao cinema de arte. Hoje é lembrado como uma das peças menores, mas curiosas, da filmografia do diretor, ao lado de títulos como Meu Rei, que retoma temas parecidos de dependência afetiva. A passagem por Veneza ajudou a dar sobrevida ao filme em retrospectivas europeias, mesmo sem ter emplacado grandes premiações.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Philippe Garrel conduz tudo com economia impressionante. Em 77 minutos, sem pressa e sem gordura, ele transforma insegurança cotidiana em matéria de cinema. A interpretação silenciosa de Anna Mouglalis equilibra bem o ímpeto de Louis Garrel e cria um par cinematográfico raro.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade, quase contemplativo. Quem busca reviravoltas, diálogos punches ou trilha sonora marcada pode achar a experiência fria. A revelação sobre a filha de Louis chega tarde e não ganha o peso dramático que merecia.
Curiosidades de bastidor
- O longa foi filmado em preto e branco, escolha estética coerente com a filmografia de Philippe Garrel em obras como Um Instante de Amor.
- Esther Garrel, filha do diretor, integra o elenco, mantendo a tradição familiar nos filmes do pai.
- Os 77 minutos de duração são propositais: Garrel gosta de formatos curtos, quase teatrais, próximos de um exercício de cena esticada.
Perguntas frequentes sobre O Ciúme
O Ciúme tem cena pós-créditos? Não. O filme termina antes dos créditos finais, sem teasers ou cenas extras.
O Ciúme vale a pena? Vale, mas é um filme de contemplação. Funciona melhor para quem aprecia dramas intimistas franceses e não espera um ritmo comercial.
Quem é o diretor de O Ciúme? O longa é dirigido por Philippe Garrel, com Louis Garrel, seu filho, no papel principal.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema europeu de autor, em especial da Nouvelle Vague tardia e do cinema de Philippe Garrel.
- Quem curte triângulos amorosos construídos em diálogos e olhares, não em grandes cenas de confronto.
- Leitores de romances psicológicos franceses e espectadores que apreciam dramas de relacionamento enxutos, em preto e branco.
Título original: La Jalousie
País de origem: França
Data do lançamento: 20/11/2014
Diretor: Philippe Garrel
Principais atores: