O que é O Cafetão?
Dois chefes do crime disputam pontos de prostituição e droga no submundo carioca. Quando a guerra explode, uma mala de dinheirosome no meio do tiroteio e cai nas mãos de um engraxate que não entende nada do que está acontecendo.
Esse é o motor de O Cafetão (1983), longa de Francisco Cavalcanti que mistura drama e policial em chave de exploitation. O filme assume desde o início a cara de cinema de guerrilha: câmera na mão, locações reais e humor involuntário que se mistura com a violência.
No centro da confusão está Pedro, vivido pelo próprio Cavalcanti. O engraxate é o ponto de vista do filme, um sujeito comum arrastado para um jogo que ele não escolheu jogar.
Quando estreou e por que importa
Estreou em 28 de março de 1983, no auge do ciclo de produções da Boca do Lixo e de outras frentes de cinema popular que dominavam as salas de bairro e pornochanchadas adjacentes no Brasil.
É um documento da produção de Francisco Cavalcanti nesse período, ao lado de títulos como O Filho da Prostituta (1981) e O Porão das Condenadas (1979), que se conectam tematicamente ao submundo e à exploração como matéria-prima narrativa.
Hoje, sobrevive como peça de arquivo. Quase não tem circuito de retrospectiva, circular pouco em streaming e é lembrado mais por pesquisadores do cinema marginal do que pelo grande público.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o tiroteio que muda a vida de Pedro é filmado com um nervo até honesto, e o elenco entrega a violência com cara de quem está no limite. Ruy Leal e João Paulo Ramalho funcionam bem como vilões opostos: um é frio, o outro é explosivo.
Ponto fraco: o ritmo derrapa no meio, algumas cenas expositivas alongam sem necessidade e a direção de Cavalcanti privilegia o choque em vez do desenvolvimento. O acabamento técnico denuncia o orçamento curto.
É um filme de nicho, e assume isso sem pedir desculpa.
Curiosidades de bastidor
- Francisco Cavalcanti acumulou direção, roteiro e o papel principal de Pedro, prática comum no cinema de baixo orçamento da época.
- O filme dialoga tematicamente com outras produções de Cavalcanti do mesmo período, como O Filho da Prostituta (1981) e O Porão das Condenadas (1979).
- A classificação de 18 anos foi aplicada por causa do teor de violência explícita, uso de drogas e cenas de nudez, comuns ao subgênero.
Perguntas frequentes
O Cafetão vale a pena assistir?
Vale para quem curte cinema marginal e a produção B brasileira dos anos 1980. Não é uma obra tecnicamente redonda, e por isso exige certa tolerância a baixo orçamento e ritmo irregular.
O Cafetão tem cena pós-créditos?
Não há registro de cena pós-créditos. O encerramento do conflito acontece dentro do tempo regular do filme, em 105 minutos.
Quem dirige O Cafetão?
A direção é de Francisco Cavalcanti, que também assina o roteiro e protagoniza o papel de Pedro.
Onde assistir O Cafetão online?
O filme tem circulação limitada em plataformas de streaming. Para saber se está disponível no catálogo atual, confira a grade de programação exibida acima.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema marginal e cinemaploitation brasileiro dos anos 1980, que consomem títulos da Boca do Lixo em VHS e streaming alternativo.
- Pesquisadores e estudantes de cinema que estudam a obra de Francisco Cavalcanti e a produção B nacional.
- Curiosos de policial brazuca com cara de exploitation, interessados em obras que dialogam com Ivone, A Rainha do Pecado (1984) e A Freira e a Tortura (1984).
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 28/03/1983
Distribuidora: Cobra Filmes
Diretor: Francisco Cavalcanti
Principais atores: