Veja o trailer do filme No Topo do Poder
No Topo do Poder
O Predio Que Virou Gulag
Um arranha-céu modernista, anos 1970. Piscina, jardins, supermercado e escola funcionando como se a cidade não existisse do lado de fora. É nesse microcosmo auto-suficiente que No Topo do Poder decide instalar sua sátira social.
O Tom Hiddleston interpreta o dr. Robert Laing, recém-chegado a um andar intermediário. Ele logo percebe que a arquitetura vertical dita as regras do jogo: quem mora no topo manda, quem mora embaixo serve. A estrutura começa a ceder junto com a sanidade dos moradores.
Baseado no romance de J.G. Ballard, o longa mistura ficção científica distópica com humor seco, formando uma parábola sobre como o conforto afasta o ser humano da realidade.
Do Pagina a Tela
High-Rise estreou no Festival de Toronto em 2015 e chegou aos cinemas britânicos em março de 2016. No Brasil, desembarcou com o título No Topo do Poder, em circuito limitado. Não disputou o Oscar, mas circulou com força em festivais de cinema fantástico e ganhou espaço em listas de fim de ano da crítica especializada.
A passagem do livro de Ballard para o roteiro contou com adaptações de Amy Jump. A produção preservou o tom de histeria contida do original, mesmo com cortes de subtramas. Hoje é lembrado como um cult dos anos 2010, citado sempre que se fala de distopia doméstica e arquitetura hostil.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de arte é o grande trunfo. O prédio funciona como personagem, com corredores, elevadores e fachadas que comunicam hierarquia em cada enquadramento. A fotografia de Laurie Rose usa simetria e cores berrantes para traduzir a alienação. O elenco entrega performances contidas e inquietantes, especialmente Luke Evans enlouquecendo em câmera lenta.
Ponto fraco: o ritmo é glacial e pode frustrar quem espera ação linear. Algumas transições soam abruptas, como se capítulos inteiros tivessem sido condensados demais. Quem não tolera violência estilizada também pode achar o meio do longa difícil de engolir.
Curiosidades
- O prédio usado nas externas fica em Bangor, na Irlanda do Norte, e foi construído nos anos 1960 justamente para parecer um retrofuturo dos anos 70.
- J.G. Ballard publicou o romance em 1975, prevendo com precisão desconfortável o individualismo extremo e o controle por meio do consumo.
- A trilha sonora combina eletrônica, jazz e peças de bandas britânicas clássicas, criando uma colagem sonora que reforça a sensação de histeria doméstica.
Perguntas Frequentes
No Topo do Poder é baseado em livro?
Sim, é uma adaptação do romance High-Rise, de J.G. Ballard, publicado em 1975. O roteiro foi escrito por Amy Jump, com supervisão do diretor Ben Wheatley.
O filme tem cena pós-créditos?
Não, a narrativa termina dentro do último ato e não há cena extra após os créditos. A história se encerra com o prédio em ruínas e os personagens reconfigurados.
Vale a pena para quem não leu o livro?
Vale, mas o contexto ajuda. Quem chega cru ao filme percebe a sátira social pela atmosfera, mas perde camadas simbólicas que o romance trabalha com mais vagar. Para o fã de drama distópico, funciona como porta de entrada ao universo de Ballard.
Pra quem é este filme:
- Leitores de J.G. Ballard, Aldous Huxley e William Gaddis, interessados em ficção distópica focada em comportamento social.
- Fãs de cinema de arte europeu dos anos 1970, como Fassbinder e Kubrick, que curtem sátira política embalada em design de produção marcante.
- Apaixonados por arquitetura brutalista e teoria urbana, que veem em prédios e plantas baixas a história inteira de uma sociedade.