Veja o trailer do filme Nimitz - De Volta ao Inferno
Nimitz - De Volta ao Inferno
O que acontece no filme
O USS Nimitz, porta-aviões nuclear da Marinha americana, é engolido por uma estranha tempestade elétrica no Pacífico e desaparece. Quando a tripulação recupera a noção de onde está, o radar mostra algo impossível: a data é 6 de dezembro de 1941, exatamente a véspera do ataque japonês a Pearl Harbor.
O comandante Kirk Douglas e o civil Martin Sheen percebem que estão diante de uma encruzilhada histórica. Podem usar os caças F-14 e as ogivas nucleares para impedir o ataque. Mas fazer isso significaria reescrever décadas de história, apagando tudo o que veio depois — inclusive a existência deles mesmos.
É um filme de ficção científica militar com a estrutura clássica de viagem no tempo: quanto mais o protagonista tenta consertar o passado, maior o risco de destruir o presente. Mistura tecnologia dos anos 80 com aviões da Segunda Guerra em confrontos que ainda hoje rendem boas sequências de ação naval.
Estreia e legado
Nimitz - De Volta ao Inferno chegou aos cinemas em 1980, no fim da Guerra Fria, quando a paranoia nuclear americana rendia boas bilheterias. O filme usou o USS Nimitz real, então o maior navio de guerra do mundo, como locação, o que deu autenticidade rara às cenas de convés e decolagens.
Apesar de não ter conquistado grandes prêmios, se tornou um cult clássico do subgênero "time travel". É citado com frequência como referência em obras que brincam com paradoxos temporais, incluindo o cult Donnie Darko (2001), que reformula a ideia de fendas no tempo de forma bem mais niilista.
Hoje, sobrevive como entretenimento de sessão da tarde na TV paga e em streaming, sempre lembrado quando alguém procura filmes de viagem no tempo com peso histórico. A presença do Kirk Douglas em seu auge tardio ajuda a manter o filme assistível mesmo nas cenas mais expositivas.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o confronto aéreo entre F-14 Tomcats e Zeros japoneses ainda convence. A produção usou aviões reais e filmagens a bordo do Nimitz original, então o espectador sente o peso do convés, o barulho dos motores e a tensão do briefing pré-voo.
As atuações de Kirk Douglas e Martin Sheen funcionam bem. Douglas entrega o comandante pragmático sem cair no heroísmo barato, e Sheen, menos de uma década depois de Apocalypse Now (1978), faz o civil que serve como nossa porta de entrada moral para o dilema.
Ponto fraco: o terceiro ato é apressado. O roteiro de Thomas Hunter e Peter Powell resolve o paradoxo de forma abrupta demais, e o filme perde a chance de discutir as implicações éticas com a profundidade que o tema pede. Os efeitos visuais também envelheceram mal em alguns planos da tempestade inicial.
- O USS Nimitz usado no filme é o verdadeiro porta-aviões homônimo (CVN-68), o primeiro nuclear da classe Nimitz, em operação desde 1975. A produção ganhou autorização rara para filmar a bordo com a tripulação em atividade.
- O diretor Don Taylor já tinha longa experiência em TV e ação quando assumiu o projeto; depois foi indicado ao Oscar pelo segmento "Escape from Madness" de Saturday Night Live, curiosamente em roteiro escrito por ninguém menos que Martin Sheen.
- Antes do papel, Kirk Douglas chegou a pedir mudanças no roteiro por considerar a fala final do comandante rasa demais. A versão final nas telas é fruto de uma reescrita negociada entre ator e estúdio.
Nimitz - De Volta ao Inferno é baseado em fatos reais?
Não. O filme parte do USS Nimitz real, navio da Marinha dos EUA usado como locação, mas a premissa da viagem no tempo é ficcional. O roteiro original foi escrito por Thomas Hunter e Peter Powell.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. O encerramento é seco, com a sugestão ambígua de que o loop temporal pode se repetir. Nada aparece depois dos créditos finais.
Qual a diferença entre Nimitz e De Volta para o Futuro?
Nimitz é drama militar adulto, sem humor adolescente, focado no peso ético de alterar a história. De Volta para o Futuro usa o mesmo conceito de viagem no tempo, mas como comédia familiar leve. Os dois são pilares do subgênero, mas de públicos diferentes.
Pra quem é este filme:
- Fãs de ficção científica militar: quem curte o subgênero "time travel" com viés histórico vai reconhecer aqui um dos pilares do tema, junto de O Exterminador do Futuro e De Volta para o Futuro.
- Entusiastas da Segunda Guerra: o filme reconstitui o clima de dezembro de 1941 em Pearl Harbor com atenção a uniformes, aviões e protocolos de rádio da época.
- Curiosos de paradoxos temporais: vale como exercício de "e se?" para quem gosta de discutir linhas do tempo alternativas e o peso ético de alterar eventos consolidados.
Título original: The Final Countdown
País de origem: EUA
Data do lançamento: 31/12/1980
Distribuidora: Imagem Filmes
Diretor: Don Taylor
Principais atores: