Veja o trailer do filme Donnie Darko
O que é Donnie Darko?
Um adolescente atormentado, um coelho apocalíptico e um motor de avião que cai do céu. Donnie Darko começa como um drama suburbano comum e vira um suspense psicológico que não pede licença para desorientar.
Em uma cidade americana aparentemente perfeita nos anos 80, Donnie Darko (Jake Gyllenhaal) é o tipo de aluno brilhante que a escola não sabe lidar. Inteligente demais, inquieto demais.
Na noite em que um motor de turbina se desprendesse do nada e destruísse o seu quarto, ele estava fora de casa, atraído por Frank, um coelho monstruoso de dimensões humanas que só ele enxerga. Frank avisa: o mundo acaba em 28 dias.
É a partir daí que o longa de Richard Kelly mergulha em viagens no tempo, física teórica e simbolismo cristão, sem nunca entregar todas as chaves. Para quem curte drama cerebral, é prato cheio. Para quem prefere narrativa mastigada, é um pesadelo de 114 minutos.
Lançamento e legado
Estreou nos EUA em janeiro de 2001 e chegou ao Brasil em março daquele ano, distribuído de forma tímida. Bilheteria modesta, recepção morna da crítica na época.
Foi o vapor do DVD, em 2002, e a explosão da internet no mesmo período que transformaram o filme em fenômeno cult. Fóruns, análises em ASCII, explicações em fanzines. Virou caso de estudo.
Hoje é referência obrigatória para qualquer lista de sci-fi independente dos anos 2000, ao lado de Animais Noturnos e Os Suspeitos. A trilogia mental de Kelly (incluindo Southland Tales e The Box) só faz sentido depois que você passa algumas horas no universo Tangent.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a atmosfera. Kelly constrói uma cidade americana ensolarada e, ao mesmo tempo, opressiva, com fotografia ocre, câmera lenta hipnótica e uma trilha sonora que costura Tears for Fears, Echo and the Bunnymen e Joy Division como se a banda sonora tivesse sido composta para o filme.
Ponto alto: Jake Gyllenhaal. O ator tinha 20 anos e entrega um protagonista que oscila entre vulnerabilidade e cinismo sem nunca virar caricata.
Ponto fraco: a narrativa exige que o espectador faça o trabalho. O capítulo final, com o livro The Philosophy of Time Travel e a explicação do universo Tangent, divide a plateia: metade acha genial, metade acha enrolação.
Curiosidades de bastidores
- Orçamento foi de apenas US$ 4,5 milhões. Kelly vendeu o roteiro primeiro, com Drew Barrymore como produtora executiva garantindo a luz verde do estúdio.
- Seth Rogen aparece como um dos colegas de escola. Foi um dos primeiros créditos relevantes do ator, ainda antes de O virgem de 40 anos.
- Kelly tinha apenas 25 anos quando dirigiu o filme. A Maggie Gyllenhaal, irmã do protagonista, foi escalada para o papel de Elizabeth Darko em um teste aberto.
Perguntas frequentes
Donnie Darko é filme de terror? Não exatamente. Tem cenas perturbadoras e clima opressivo, mas se classifica melhor como suspense e drama psicológico com elementos de ficção científica. A classificação indicativa é 14 anos.
Qual a explicação do final de Donnie Darko? O filme usa o livro fictício The Philosophy of Time Travel para introduzir o conceito de universo Tangent, um ramo paralelo que se forma antes de um evento catastrófico. A interpretação mais aceita é que Donnie, ao longo do filme, cumpre um papel nesse mecanismo cósmico. Mas a ambiguidade é proposital.
Donnie Darko tem cena pós-créditos? Não. Os créditos finais rolam em silêncio sobre uma tela preta, sem easter eggs ou ganchos para continuação. É o oposto de um filme de super-herói.
Pra quem é este filme:
- Fãs de sci-fi cerebral: quem curte Vida e obras que tratam viagem no tempo como quebra-cabeça e não como efeito especial.
- Cineastas e estudantes de cinema: a mise-en-scène de Richard Kelly é citada em aulas de roteiro e direção de arte.
- Saudosistas dos anos 80: a reconstituição de época, com referências a ET, O Extraterrestre e ao Reaganismo, é camada extra de leitura.
Título original: Donnie Darko
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 02/03/2001
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Richard Kelly
Principais atores: