Veja o trailer do filme Morte em Veneza

Morte em Veneza

Morte em Veneza

Sobre o que é Morte em Veneza

Morte em Veneza acompanha Gustav von Aschenbach, um compositor renomado que chega a Veneza em busca de repouso, mas se vê enredado por uma obsessão silenciosa.

O ponto de virada é simples: ele cruza com Tadzio, um adolescente polonês em férias com a família, e passa a segui-lo pelos canais e pela praia do Lido.

A beleza clássica do garoto funciona como espelho de tudo o que Aschenbach reprimiu durante a vida, e o longa usa esse incômodo como motor dramático.

Pior do que o desejo é a cidade. Enquanto a obsessão cresce, Veneza começa a ser tomada pela cólera, e ficar parado vira uma escolha moral.

O filme é uma adaptação do romance de Thomas Mann, de 1912, conduzida por Luchino Visconti com a frieza controlada que marcou sua fase final.

Quando estreou e por que ainda importa

Morte em Veneza estreou em 1971 e dividiu a crítica na época justamente por lidar com a homossexualidade de forma explícita, ainda que nunca gráfica.

O filme recebeu o Prêmio do Jubileu de 25 anos no Festival de Cannes, uma distinção reservada a obras que marcaram a história do cinema.

Hoje é tido como um dos pontos altos do drama europeu do pós-guerra, ao lado de títulos como Rocco e seus Irmãos e Um Sonho de Amor.

A restauração em 4K promovida pelo Cineteca di Bologna chegou ao Brasil em março de 2020, devolvendo à sala de cinema o brilho original da fotografia de Pasqualino De Santis.

Para cinéfilos, o filme segue funcionando como teste de paciência e como aula de mise-en-scène, e continua sendo citado em listas de melhores obras europeias do século XX.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a composição visual é impecável. Cada plano parece um quadro veneziano do século XVIII, com a câmera operando devagar sobre o Brá, a praia e os salões do Hotel des Bains.

A trilha com Mahler — especialmente a Adagietto da Quinta Sinfonia — encaixa como uma segunda pele na narrativa.

Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem espera um melodrama tradicional vai estranhar a economia de diálogos e a opção por contar tudo por meio de olhares e movimentos de câmera.

É um filme para ser assistido em estado de disponibilidade, não no fundo de uma madrugada cansativa.

Curiosidades

  • A direção de fotografia é assinada por Pasqualino De Santis, que ganhou o Oscar por Roma, Cidade Aberta logo no ano seguinte, em 1972.
  • O roteiro de Visconti e Nicola Badalucco cortou o narrador original de Thomas Mann, apostando em narração visual por meio da câmera operada manualmente.
  • Björn Andrésen nunca se livrou do estigma de Morte em Veneza e relatou, décadas depois, o peso da exposição na adolescência em entrevistas e no documentário The Most Beautiful Boy in the World.

Perguntas frequentes

Morte em Veneza é baseado em qual livro?

É uma adaptação do romance Der Tod in Venedig, de Thomas Mann, publicado em 1912. O próprio Visconti reduziu a importância do narrador, confiando mais na imagem do que na voz literária.

Morte em Veneza tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma contemplativa, com uma das últimas imagens mais citadas da história do cinema europeu, e não há conteúdo extra após os créditos.

Qual é a duração de Morte em Veneza?

A versão restaurada tem aproximadamente 130 minutos. É um filme longo, com ritmo lento, pensado para ser visto com atenção, sem distrações.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de arte europeu e adaptações literárias clássicas, especialmente quem já viu Romeu e Julieta de Renato Castellani e quer entender a outra linhagem italiana.
  • Apreciadores de fotografia e figurino de época, interessados no trabalho de reconstituição histórica que o Visconti fazia em parceria com a Cinecittà.
  • Leitores de Thomas Mann e de literatura decadentista que querem ver o romance de 1912 traduzido em imagens.

Título original: Morte em Veneza

País de origem: Itália

Data do lançamento: 02/03/2020

Diretor: Luchino Visconti

Principais atores: