Veja o trailer do filme Lua de Júpiter

Lua de Júpiter

Lua de Júpiter

14 Drama Duração: 2h 9min

Lua de Júpiter vale a pena? Análise sem spoiler do drama de Kornel Mundruczó

Aryan é um migrante que tenta atravessar a fronteira da Hungria à noite. Leva um tiro, sobrevive por acaso e acorda com uma habilidade impossível: consegue levitar.

O milagre acontece num lugar fechado — um campo de refugiados superlotado, vigiado por homens de braço curto. É ali que entra o Dr. Stern, médico oportunista, interpretado por Merab Ninidze, que enxerga no dom de Aryan algo que vai muito além da medicina.

O longa de Kornel Mundruczó parte de uma premissa sobrenatural e usa ela como lente para destrinchar a crise migratória europeia. O corpo que flutua vira metáfora de um povo que ninguém quer ver — e que está ali, insistindo em existir.

Quando estreou e por que ainda importa

Lua de Júpiter chegou aos cinemas brasileiros em 31 de maio de 2018, distribuição da Imovision. Antes disso, passou pela competição oficial do Festival de Cannes 2017, onde dividiu a polêmica de um filme que mistura fé, política e espetáculo visual.

É uma coprodução entre Hungria e Alemanha, e marca a continuação da parceria entre Mundruczó e a Merab Ninidze após o também duro Ponte dos Espiões. O filme foi exibido em mostras de cinema autoral pelo mundo e ainda circula em catálogos de streaming especializados em arte.

Hoje, ele é lembrado como uma das obras mais ambiciosas de Mundruczó, que já tinha chamado atenção com o impactante White God (2014). Uma referência obrigatória para quem estuda o cinema europeu de ficção política dos anos 2010.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a sequência em que Aryan levita dentro do campo, filmada em um único plano aéreo por Mundruczó, é genuinamente de tirar o fôlego. A direção, a fotografia e a decisão de misturar milagre e barbárie política são o melhor do filme.

Ponto fraco: o terceiro ato escorrega para um thriller mais convencional e perde parte do estranhamento que sustenta a primeira metade. Algumas subtramas — incluindo a da esposa do Dr. Stern — ficam abandonadas pelo caminho.

No fim, é um drama de autor com fôlego, imperfeito mas provocador. Não é filme para todo mundo, e tudo bem.

Curiosidades de bastidores

  • A cena da levitação foi filmada em um take único com câmera de içamento real, sem CGI para o corpo do ator, o que dá a sequência um realismo físico raro.
  • O roteiro foi escrito pelo próprio Mundruczó com a colaboradora frequente Kata Wéber, com quem já havia assinado White God.
  • As filmagens aconteceram em Budapeste e em um campo de refugiados real na Hungria, com participação de figurantes que tinham vivido a situação retratada.

Perguntas frequentes sobre Lua de Júpiter

Lua de Júpiter tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma definitiva antes dos créditos finais.

Lua de Júpiter é baseado em fatos reais?
Não. A premissa da levitação é ficcional, mas o contexto do campo de refugiados, da fronteira e do tratamento a migrantes é inspirado na crise migratória europeia de 2015.

Lua de Júpiter está em algum streaming?
O longa circulou em catálogos de filmes de arte e em mostras digitais no Brasil. A disponibilidade varia por região e por mês, então vale checar a grade atualizada de plataformas como Mubi, Filme Filme e similares.

Pra quem é este filme:

  • Fãs do cinema de autor europeu e de Mundruczó, especialmente quem gostou de White God e quer ver o diretor tensionando o realismo mágico.
  • Pessoas interessadas em cinema político sobre migração, refúgio e o papel da Europa no tratamento de populações em deslocamento.
  • Espectadores que curtem dramas com pegada existencial, com mistura de fé, corpo e crítica social — algo próximo de Lou ou 4 Dias em Maio.

Título original: Jupiter holdja

País de origem: Hungria, Alemanha

Data do lançamento: 31/05/2018

Distribuidora: Imovision

Diretor: Kornel Mundruczó

Principais atores: