Veja o trailer do filme White God
White God
Dois lados de uma Budapeste que prefere não olhar
Em White God, a câmera do diretor Kornel Mundruczó divide a tela entre dois personagens: Lili, uma pré-adolescente de treze anos, e Hagen, o cachorro mestiço que ela cria com o pai.
Quando a mãe viaja, Lili é mandada para a casa do genitor, com quem não tem ligação afetiva. A convivência azeda rápido, e a pressão social contra cães de raça misturada aparece como regra municipal: Hagen tem que sumir.
O que começa como um drama familiar atravessa o gênero drama e vira outra coisa. Abandonado, Hagen aprende a sobreviver nas ruas de uma cidade hostil, enquanto Lili vasculha a Budapeste cinzenta tentando encontrá-lo. As duas linhas caminham em paralelo até colidir de forma brutal.
De Cannes 2014 aos cinemas brasileiros em 2016
A estreia mundial aconteceu no Festival de Cannes 2014, onde o longa levou o prêmio da seção Un Certain Regard — um dos reconhecimento mais disputados do circuito de autor.
No circuito europeu, a repercussão foi imediata pelo lance arriscado: trezentos cães não treinados em cena, sem CGI. O boca a boca sustentou o título por meses.
No Brasil, a Imovision trouxe o filme para os cinemas em 25 de fevereiro de 2016, em circuito limitado. Hoje, White God é lembrado como divisor de águas do cinema húngaro contemporâneo, citado lado a lado com obras como Lua de Júpiter na filmografia de Mundruczó.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a sequência final, com cães ocupando ruas e fachadas inteiras de Budapeste, é genuinamente inesquecível. A atuação de Zsófia Psotta segura o lado humano com uma entrega silenciosa, sem apelar para o melodrama.
Ponto fraco: a primeira metade é lenta de propósito, e quem busca narrativa objetiva pode se desconectar antes do acerto de contas chegar.
O longa assume ar de ENTARDECER no desconforto e pede ao espectador que aceite símbolos no lugar de explicações.
Curiosidades de bastidor
- Foram escalados cerca de duzentos a trezentos cães não treinados para as filmagens, coordenados pela treinadora Orsolya Tóth ao longo de meses de preparação.
- O longa recebeu o prêmio Un Certain Regard em Cannes 2014, concorrendo com títulos como The Wenesday Child.
- Kornel Mundruczó também atua no filme em um papel menor, além de dirigir e coescrever o roteiro.
Perguntas frequentes
White God tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina com a sequência dos cães em plano aberto, sem nenhum gancho extra depois dos créditos.
Onde assistir White God online?
No Brasil, o título circulou em catálogo da Imovision e em mostras de cinema. Confere nos streamings abaixo se está disponível na sua assinatura.
White God é baseado em fatos reais?
Não. A história é uma ficção com forte camada de alegoria política, inspirada em contextos reais de exclusão e em leis húngaras sobre taxação de cães mestiços.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor europeu: quem curte dramas simbólicos como os de Michael Haneke ou os primeiros longas de Mundruczó, como Delta.
- Interessados em crítica social via metáfora: a leitura sobre imigração, marginalização e opressão estatal fica clara sem precisar de diálogo expositivo.
- Quem gosta de cinema experimental com animais reais: os trezentos cães não treinados são por si só um feito técnico raro em produções do tipo.
Título original: White God
País de origem: Hungria
Data do lançamento: 25/02/2016
Distribuidora: Imovision
Diretor: Kornel Mundruczó
Principais atores: