Veja o trailer do filme Los Angeles Por Ela Mesma
Los Angeles Por Ela Mesma
O que é Los Angeles Por Ela Mesma
Los Angeles Por Ela Mesma (Los Angeles Plays Itself) é um ensaio-documentário do diretor Thom Andersen que parte de uma pergunta simples e incômoda: a Los Angeles que vemos nos filmes é a mesma Los Angeles que existe de verdade?
Ao longo de quase três horas, o filme percorre décadas de produção hollywoodiana para mostrar como a cidade foi usada, deformada, mitificada e apagada pela própria indústria que nela nasceu. Andersen usa trechos de obras clássicas, dramas policiais e produções B para costurar um argumento visual sobre representação, poder e espaço urbano.
É um documentário denso, mas nada árido. Funciona como uma carta de amor ressentida à cidade mais filmada do planeta.
Estreia, repercussão e legado
O filme foi originalmente concluído em 2003, tendo sua estreia no Brasil registrada em 1987 em bases de catalogação, e desde então circulou em circuitos de cinéfilos e universidades. Ficou conhecido também em sua versão expandida, lançada em 2014, que aprofundou a análise com material adicional sobre a história urbana e arquitetônica de LA.
O trabalho ganhou status cult entre estudantes de cinema e城市规划 e foi adquirido pela Criterion Collection, selo referência em preservação audiovisual. O longa consolidou Thom Andersen como um dos pensadores mais afiados sobre a relação entre cidade e tela.
Hoje, é citado em cursos de teoria do cinema, urbanismo e estudos culturais como um marco do ensaio audiovisual contemporâneo. Sua influência aparece em obras posteriores do próprio diretor, como Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo, e em documentários que discutem espaço e narrativa.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a curadoria de clipes é brilhante. Andersen cruza filmes conhecidos com pérolas obscuras para montar um raciocínio visual sobre como Hollywood enxerga (e desconfigura) Los Angeles. Em alguns momentos, o documentário funciona como um curso acelerado de história do cinema americano.
Ponto fraco: os 169 minutos exigem paciência. Quem espera um documentário narrativo no estilo expositivo tradicional pode sentir o ritmo arrastado em alguns capítulos.
Não é filme para ver no celular entre uma tarefa e outra. Pede tela grande, fone e disposição.
Curiosidades de bastidores
- O filme foi montado a partir de mais de 200 obras hollywoodianas, com Andersen chegando a recusar entrevistas por meses para assistir películas em arquivos e cinematecas.
- A versão expandida de 2014 foi viabilizada parcialmente por uma campanha de financiamento coletivo, mostrando a força da base cinéfila em torno do projeto.
- O documentário é frequentemente comparado, em crítica acadêmica, a obras como Reconversão e Os pensamentos que outrora tivemos, pelo recorte urbano e ensaístico.
Perguntas frequentes
Los Angeles Por Ela Mesma é documentário ou ficção?
É um documentário ensaístico. Não há personagens fictícios nem encenação: tudo é construído a partir de trechos de outros filmes e da narração de Encke King.
Qual a duração do filme?
A versão padrão tem 169 minutos (quase três horas). A versão expandida, lançada em 2014, tem pouco mais de 3 horas e meia.
Tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma contemplativa, sem teasers ou adendos após os créditos.
Pra quem é este filme:
- Amantes de ensaios audiovisuais: quem curte obras de Chris Marker, Adam Curtis ou Harun Farocki vai se sentir em casa.
- Estudantes e professores de cinema: funciona como material de apoio para aulas sobre representação urbana, narrativa e mitologia hollywoodiana.
- Entusiastas de Los Angeles: moradores, ex-moradores e fãs da cidade vão reconhecer ruas, bairros e edifícios usados (e abusados) pela indústria.
Título original: Los Angeles Plays Itself
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 02/03/1987
Diretor: Thom Andersen
Principais atores: