Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo
Sobre o que é o filme
Em 1880, o fotógrafo inglês Thom Andersen — em seu primeiro longa — toma como objeto o legado de Eadweard Muybridge, o homem que transformou o estudo do movimento em ciência.
Usando a técnica de animação quadro a quadro, o documentário reanima mais de 100.000 imagens capturadas por Muybridge na Universidade da Pensilvânia, registrando pessoas e animais em atividades corriqueiras.
O recorte privilegia o que havia de radical nessas fotos: a nudez compartilhada por homens e mulheres, os corpos deficientes lado a lado com corpos atléticos, o afeto explícito numa era vitoriana e repressora.
Estreia e legado
Realizado como trabalho de mestrado na UCLA em 1975, o filme circulou em mostras e circuitos universitários por décadas. Só chegou ao circuito comercial brasileiro em 16 de março de 2017, quatro décadas depois de finalizado.
Hoje é visto como uma peça-chave do cinema ensaístico de Andersen, ao lado de obras como Los Angeles Plays Itself, e dialoga com outros lançamentos de 2017 que revisitavam arquivos históricos, como Os Pensamentos que Outrora Tivemos e Reconversão.
É referência obrigatória em cursos de história da fotografia, estudos visuais e cinema experimental.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a decisão de Andersen de dar movimento às fotos de Muybridge é genial. Os corpos ganham vida de forma estranha, quase hipnótica, e o espectador percebe o quanto aquela tecnologia era revolucionária.
Ponto alto: a leitura sociológica é precisa, sem moralismo. Andersen expõe o conservadorismo da época ao mesmo tempo em que destaca a objetividade não hierárquica do olhar de Muybridge.
Ponto fraco: o ritmo é lento e a narração, propositalmente seca, pode afastar quem busca entretenimento ou narrativa envolvente.
Ponto fraco: os 59 minutos exigem paciência. Não é filme para sessões casuais: pede atenção e algum interesse prévio em história da imagem.
Curiosidades dos bastidores
- O filme foi feito como tese de mestrado de Andersen na UCLA, com materiais de acervo acessados por meio de bolsas universitárias.
- Muybridge de fato registrou mais de 100.000 negativos entre 1880 e 1885, muitos preservados em bibliotecas americanas.
- As cenas de aferto e nudez mista foram alvo de polêmica na época de Muybridge e motivaram debates sobre decência pública.
Perguntas frequentes
Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo é um documentário de que ano?
O filme foi realizado em 1975, durante o mestrado de Thom Andersen na UCLA, mas só foi lançado comercialmente no Brasil em março de 2017.
Qual é a duração do filme?
São 59 minutos de projeção, o que o torna ideal para sessões curtas, exibições em mostras e debates em sala de aula.
O filme é indicado para quem não conhece Muybridge?
Sim. A narração contextualiza a vida e o trabalho do fotógrafo antes de analisar as imagens, funcionando como porta de entrada para iniciantes no tema.
Pra quem é este filme:
- Estudantes e admiradores de história da fotografia e do cinema das origens.
- Interessados em cinema ensaístico, crítica cultural e estudos visuais.
- Pessoas que consomem documentários experimentais, acervos digitalizados e arquivos históricos em vídeo.
Título original: Eadweard Muybridge, Zoopraxographer
País de origem: EUA
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Thom Andersen